Medida não foi discutida com setor
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon Norte/PR), Osmar Ceolin Alves, diz que a publicação da portaria "pegou todos de surpresa". "Muitos não estavam sabendo. Não foi discutida com os setores da construção do País. Vai haver impacto em áreas que já estão consolidadas, principalmente nas proximidades de aeroportos como o Galeão e Congonhas", destaca.
Alves afirma que a medida deveria ter sido estudada em conjunto com todos os setores interessados. "Deveria ter sido discutido com as entidades de nível nacional. Temos a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que representa as indústrias de construção, temos os sindicatos das indústrias da construção civil (Sinduscon) do País, e ninguém foi ouvido", diz.
Alves critica ainda a adoção do critério do raio de 4 km. "Em Londrina, isso pega a Gleba Palhano, a PR-445. Em direção à Rodoviária pega até a Universidade Tecnológica Federal. Todo o centro da cidade também. Existe toda uma área que poderia ser utilizada para edificações que está dentro desse raio. Depois a portaria fala que entre 4 km e 20 km existe um limite de 75 metros de altura para as edificações, que para nós não ficou muito claro se é o limite total ou de acréscimo. Imagina isso. Se fizermos um raio de 20 km, isso vai até Rolândia", afirmou.
Para o presidente do Sinduscon, o crescimento de Londrina será afetado significativamente, inclusive com diminuição do número de empregos. "Para construir um prédio mais alto, se hoje se emprega 100 pessoas, isso vai para 80. Diminui o consumo de material de construção, reduz as receitas indiretas, diminui a arrecadação de impostos. Tudo é uma cadeia e isso é muito ruim para a cidade", avalia. "Quero deixar claro que os empreendedores se adaptam e acabam investindo em municípios que proporcionem melhores condições. Os investidores acabarão migrando para Maringá, Apucarana, Cianorte, Campo Mourão, Curitiba ou em municípios de Santa Catarina. Essa portaria está prejudicando o empreendedor, mas prejudica em primeiro lugar a cidade."
Alves afirma ainda que a aprovação de projetos "já é lenta" com a exigência de documentação junto ao Corpo de Bombeiros, Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) e Secretaria Municipal de Obras. "Agora mais uma consulta será acrescentada com essa exigência de aprovação junto ao Ministério da Aeronáutica. Tudo isso demanda cada vez mais tempo", reclama.(V.O.)





