Medida não agrada os coordenadores da Liga
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de agosto de 1997
Da Redação 
A Liga dos Engraxates que antes atendia a cerca de 90 meninos, hoje está com apenas 15 engraxates. A evasão aconteceu porque a Promotoria da Vara da Infância e Juventude determinou o descredenciamento de todos os meninos com menos de 14 anos. A decisão baseia-se no Estatuto do Menor e do Adolescente que proíbe que crianças menores de 14 anos trabalhem. Estamos tristes com esta situação e ainda não estamos convencidos de que o caminho determinado pela promotoria seja o ideal, afirma a coordenadora da Liga, Leyde Estorel Veiga.
A Liga existe há 30 anos. Leyde Veiga explica que três casais garantem o acompanhamento do aproveitamento escolar dos meninos que participam da Liga. Duas policiais e membros da instituição atuam na fiscalização e orientação nas ruas, para que os meninos cumpram os seus horários. Eles só trabalhavam de dia, sempre em horários alternativos ao da escola. Leyde Veiga argumenta que a realidade social obriga estes menores a trabalharem para garantir uma renda para ajudar suas famílias.
O importante é que eles tenham acompanhamento e não saiam da escola. O trabalho garante o de hoje e o estudo, o futuro, diz. Na Liga, acrescenta, os meninos têm ainda aula de datilografia, catequese e atendimento médico. No domingo participam de uma reunião de avaliação e orientação e depois assistem à missa. Durante a semana, antes de ir para a escola ou quando voltam da escola, almoçam no salão da Catedral.
A secretaria da Ação Social, no entanto, sustenta que a realidade não é bem esta. De acordo com a equipe que presta atendimento e acompanha os menores que vivem em situação de risco, na rua, o menor se acostuma a receber o dinheiro fácil, fica exposto a riscos de agressões e acidentes e à droga. Na sequência surgem o abandono da escola e a não adaptação ao mercado de trabalho, que oferece bem menos que o ganho com a mendicância nas ruas.
(Célia Baroni)


