Enviado a Paranaguá
Pode ser para o próprio bem dos adolescentes, como argumenta o juiz Fábio Muniz, mas os garotos de Paranaguá não aprovaram as proibições. Eles afirmam em alto e bom som que não vão respeitar a portaria que entra em vigor nesta segunbda-feira. ‘‘Acho isso aí (a portaria) muito ruim’’, diz o estudante L.A.S., 16 anos, que costuma ficar até 2 horas da madrugada na rua, segundo ele, conversando com amigos. ‘‘Assim a gente não vai poder curtir a juventude’’, reclama. Indignado pelas restrições, o estudante criticou a postura do juiz. ‘‘Acho que ele não teve infância’’.
O adolescente M.C.O., 15 anos, concorda com a afirmação do colega. ‘‘A proibição não devia existir. A vida (das crianças) não pertence a ele (juiz). A vida é nossa e ele não tem esse direito’’, diz, dando pouca importância às preocupações do juiz quanto ao consumo de drogas, álcool e a prostituição na cidade. ‘‘Eu não vou obedecer. Vou sair de noite como sempre fiz’’.
Mais conformado, o estudante N.F.S., 13 anos, diz que vai obedecer à nova lei. Não porque ele quer, mas porque a mãe deverá obrigá-lo a isso. Ao contrário dos amigos, N.F.S. não costuma ficar até tarde da noite na rua. Ele diz que chega em casa por volta das 22 horas, por absoluta cobrança da mãe. Nos finais de semana, ele ganha uma hora à mais, e pode voltar às 23 horas. Com as proibições, ele deve perder uma hora durante a semana e duas no sábado e domingo.
Se os adolescentes não gostaram da medida, os pais, ao contrário, a aprovaram. O taxista Luiz Gonzaga, 48 anos, pai de quatro filhos, três deles menores, reclama que o consumo de drogas, a violência e o consumo de bebidas está muito grande na cidade. E, por isso, concorda com o juiz. ‘‘A onda está demais. A proibição não é o que a gente queria, mas é a solução’’, afirma Gonzaga, que trabalha há 25 anos dirigindo à noite. Ele diz que conhece os problemas de Paranaguá e que as gangues de menores estão tomando conta da cidade.

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