Os atendimentos médicos realizados por meio das guias de planos de saúde estão suspensos em Londrina desde ontem. A decisão foi anunciada na manhã de ontem pelo presidente da Associação Médica de Londrina (AML), Aparecido José de Andrade, e afeta cerca de 50 mil usuários de planos de saúde da cidade. Pacientes que procurarem um dos 800 médicos credenciados serão atendidos mediante pagamento de uma taxa de R$ 50,00 e orientados a cobrar ressarcimento dos planos respectivos.
Segundo o médico Weber Arruda Leite, presidente da Comissão de Defesa do Profissional da AML, com a medida a classe médica pretende pressionar as empresas administradoras de planos de saúde a renegociar a Classificação Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CHPM). Além do reajuste dos repasses por atendimento, o CHPM prevê a inclusão de cerca de mil novos procedimentos nos planos oferecidos. Dos convênios disponíveis em Londrina, somente a Unimed, Hospitalar, Viação Garcia e Linck aceitaram o acordo e continuam o atendimento normal.
''Nos últimos 10 anos os planos reajustaram as mensalidades para o usuário em até 380%, sem o reajuste proporcional ao repasse para os médicos. Escolhemos o dia de hoje (ontem, Dia Nacional do Médico) como a data limite para as negociações sem a suspensão dos atendimentos pelas guias'', afirmou Arruda. Hoje, os planos repassam cerca de R$ 25,00 por consulta atendida. A CHPM prevê um reajuste para R$ 42,00 com margem de negociação de 20%.
Também integrante da Comissão de Defesa do Profissional, o médico Armando Diniz garantiu que ninguém vai ficar sem atendimento. ''Mas as consultas estarão condicionadas ao pagamento de R$ 50,00. Quem não tiver dinheiro poderá deixar um cheque a ser cobrado quando o paciente puder pagar'', orientou. Planos como a Caapsml, Copel, Sanepar, Golden Cross, Correios e Embrapa não aceitaram os termos da CHPM e os clientes, cerca de 20% do total de comsumidores de planos de saúde em Londrina, vão precisar pagar os R$ 50,00.
O presidente da Associação das Entidades Paranaenses de Auto Gestão em Saúde (Assepas), Marcos Antônio Brenny, negou que a entidade não tenha negociado a implantação do CHPM com os médicos. ''Fizemos quatro propostas à Associação Médica do Paraná (AMP), desde janeiro. E a afirmação de que não estamos reajustando os repasses também é equivocada'', disse, completando: ''Desde julho do ano passado, a maioria de nossas afiliadas paga R$ 33,60 por consulta. Algumas pagam até a mais'', disse.
Sobre aceitar as condições da CHPM, Brenny afirmou que algumas operadoras do Estado já a adotaram, no entanto trabalhando com 75% dos valores sugeridos. ''O valor integral proposto seria impraticável''. O presidente da Assepas também disse que as empresas já incluíram os procedimentos exigidos pela CHPM no atendimento. ''A Agência Nacional de Saúde regulamentou esses procedimentos em setembro e todas as operadoras aceitaram, visto que é obrigatório'', concluiu.

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