Médicos são alvo de campanha contra o tabagismo
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sábado, 20 de setembro de 2008
Carolina Gabardo Belo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Quem não teve uma pequena decepção ao descobrir que seu médico, referência em saúde e que tanto lhe recomendou práticas saudáveis, fumava? A receita ''faça exercícios físicos, não fume e cuide da alimentação'' muitas vezes não é praticada por aqueles que a prescrevem.
A médica pneumologista e integrante da Comissão da Saúde do Médico, do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), Roseni Teresinha Florêncio, afirma que entre 10% e 15% dos pacientes podem abandonar o vício se o médico falar dos malefícios durante a consulta. ''Mas se atendo um paciente e sou fumante, não consigo o pleno convencimento de que ele precisa parar. Se não consigo usar este princípio para mim mesmo, não consigo passar para o paciente'', exemplifica.
Um médico radiologista de 59 anos, que prefere não ser identificado, conta que fuma desde os 19 anos. Ele leva a sua dependência com bom humor, o que não significa que não se preocupe com ela. ''Sabe o que o cigarro disse pra mim? Você me acende e eu te apago'', brinca. Para não perder a credibilidade diante de seus pacientes, o médico fuma escondido no banheiro, constantemente lava o rosto e a boca para disfarçar o cheiro do cigarro e não tem coragem de fumar na frente dos filhos.
No trabalho, ele convive diariamente com os efeitos causados pelo cigarro. São radiografias de pessoas com câncer no pulmão e casos de enfisema pulmonar, além de várias pessoas com falta de ar, situação que ele ''morre de medo'' de passar. ''Sei que estou caminhando para isso'', diz.
O cirurgião vascular Constantino Miguel Neto, 59, coordenador-geral do Hospital Evangélico, também assistiu aos efeitos de seu próprio vício. ''O cigarro é terrível para as doenças que trato'', afirma. Ele foi fumante durante 40 anos, mas há quatro conseguiu abandonar o vício. Neto conta que quando começou a fumar, aos 19 anos, não havia essa preocupação com a dependência. ''Era até bonito'', diz.
Para sensibilizar os médicos sobre os malefícios do tabagismo, o CRM-PR e a Unimed Curitiba lançaram ontem o ''Programa de Combate ao Tabagismo'', que será realizado entre a classe médica cooperada. Os profissionais irão participar de palestras sobre o tema e receberão atendimento personalizado por um grupo de psiquiatras e psicólogos, que terá duração aproximada de um ano. A iniciativa faz parte do programa ''Saúde do Doutor'', realizado pela cooperativa dos médicos. ''Às vezes, o médico cuida muito do outro e acaba esquecendo de si próprio'', afirma o presidente da Unimed Curitiba, Sérgio Ossamu Ioshii.


