Médicos residentes do HU param atendimento
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quinta-feira, 24 de agosto de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Dos 130 médicos residentes que trabalham no Hospital Universitário (HU) de Londrina, somente os que atuam nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), Pronto-Socorros (PS) e maternidade menos de dez pessoas, ao todo continuaram nos seus postos ontem. A maioria aderiu à manifestação nacional da categoria que reivindicava reajuste no valor da bolsa de residência médica paga pelo governo federal. Os pacientes tiveram atendimento garantido pelos docentes e internos do HU.
Segundo o presidente da Associação de Médicos Residentes de Londrina (Amerel), Paulo Muller, de uma maneira geral os residentes têm resistência em parar por causa da responsabilidade que têm. ''Os hospitais não deveriam, mas a maioria depende de nós. Isso não acontece só aqui, mas em todo o País''. Muller não descartou a possibilidade de uma paralisação maior. ''Vamos aguardar os encaminhamentos da associação nacional'', informou.
Segundo Muller, estima-se que sejam 17 mil residentes em todo o País, conforme número da entidade que representa a categoria. Há cinco anos, eles tiveram um reajuste depois de dois meses de paralisação. ''Já estamos há um ano negociando. O ministro da Educação, Fernando Haddad, chega a ser favorável, mas é o Ministério da Saúde que barra'', argumentou. Ele não soube explicar os motivos apresentados pela pasta da Saúde, do governo federal.
O reajuste requerido pela categoria é de 30% do valor bruto da bolsa atual que é de R$ 1.414,00. Isto representaria um acréscimo de cerca de R$ 420,00 no valor pago mensalmente. ''Esse índice foi proposto pelo próprio governo. A categoria acatou depois de muita discussão'', explicou Muller. Ele informou que há relativa dificuldade de diálogo com os responsáveis pelo rejuste na esfera federal do governo.
O secretário de Estado de Saúde, Cláudio Xavier, não se posicionou diretamente sobre o assunto, mas defendeu que a bolsa deve ter um valor que garanta a subsistência dos residentes na cidade onde moram. Ele destacou, entretanto, que são estes médicos em formação que acabam ''tocando'' os hospitais.
No Hospital das Clínicas da UEL, onde a maioria dos residentes paralisou as atividades, os atendimentos não foram prejudicados porque os docentes e internos também garantiram as consultas. ''Houve uma redução de um terço na procura por parte dos pacientes também'', destacou o gerente clínico do hospital, Francisco Pereira.
Curitiba - Na Capital, mais de cem residentes do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), se reuniram em frente à instituição para protestar. O local era o ponto que representava a manifestação no Paraná, de acordo com a Associação Nacional dos Residentes Médicos na internet.
Segundo o presidente da Associação dos Médicos Residentes do Hospital das Clínicas (Amerehc), Pedro Almeida, entre os 235 profissionais do HC, só trabalharam os plantonistas dos serviços de urgência e emergência. ''A gente também gostaria de chamar a atenção da sociedade para a necessidade de uma política nacional para a residência médica, que garanta não só valores adequados para as bolsas, mas também qualidade do ensino na residência'', declarou.
De acordo com a página da internet sobre o reajuste das bolsas dos residentes - www.bolsaresidente.com.br - as manifestações aconteceram em praticamente todos os estados brasileiros e contou com apoio de políticos, como o ministro da Educação, Fernando Haddad e o vice-presidente do Brasil, José Alencar.


