O urologista infantil do Rio de Janeiro Marcelo Brás, que esteve em Londrina participando do 43º Congresso Médico encerrado ontem, declarou que ''o paciente é o menos visado na saúde''. Acompanhado do urologista Celso Fernandes Júnior, ele analisou a situação da saúde no País. ''Pouquíssimas gestantes podem fazer o ultrasson durante a gravidez'', contou. Brás, que é chefe do departamento de Uropediatria do Hospital de Bom Sucesso no Rio de Janeiro, lembrou que ultra-sonografia realizada durante a gestação pode detectar anomalias nos rins do feto e impedir que a criança perca o órgão ainda nos primeiros anos de vida. ''Antes, quando não se realizava esse exame, o problema era detectado com um ou dois anos de idade e o aparelho urinário já estava deteriorado'', lembrou o médico.
Marcelo Brás enfatizou outra situação que o médico brasileiro vêm passando, o de ter que escolher que paciente vai atender. ''Eu tinha uma criança que já estava aguardando há quatro meses para ser operada pois um rim não estava funcionando. No dia de sua internação apareceu outra criança que estava com os dois rins com problema e eu tive que colocar os pais frente a frente e dizer 'seu filho tem um rim que não funciona, o seu têm dois, qual eu vou operar?''', relatou.
Marcelo Brás lembrou que se os casos de hidronefrose (ler reportagem nesta página) fossem diagnosticados no início, as crianças não perderiam os rins, não precisariam realizar transplantes no futuro ou passar pelas seções de hemodiálise. Consequentemente, se gastaria menos e as pessoas teriam uma melhor qualidade de vida.
Já o urologista Celso Fernandes revelou que o laudo de muitas ultra-sonografias realizadas pelo SUS vêm sem fotografia para baratear os custos e por isso muitos casos de hidronefrose passam desapercebidos.
Celso Fernandes chamou a atenção para a importância da prevenção. ''Se os dirigentes percebessem que a infância é o nosso futuro e que precisamos ter gente saudável, investiriam mais na saúde. Se não tem sa© úde, não há desenvolvimento''.

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