Médicos reconstroem perna e evitam amputação
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terça-feira, 29 de março de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 
O dia 22 de janeiro de 2016 vai ficar para sempre marcado na memória da secretária Jane Meyre Cultz, de 39 anos. Por volta do meio-dia, ela saiu de moto do trabalho para ir almoçar em casa, mas no caminho sofreu um grave acidente. Uma caminhonete invadiu a preferencial no cruzamento da Rua Maranhão com a Avenida Carlos Schmidt, em Apucarana (Centro-Norte), e atingiu em cheio a perna esquerda dela. O primeiro diagnóstico foi de que seria necessário amputar parte do membro, mas o médico que a atendeu no Hospital da Providência decidiu tentar salvar a perna e recorreu à equipe de cirurgiões do Hospital do Coração, em Londrina, especializada em microcirurgia. Desde então, Jane passou por mais de dez procedimentos cirúrgicos, mas a perna foi mantida e a esperança de voltar a ter uma vida normal, também.
"Caí de costas no chão e o pessoal que estava por perto e me socorreu não me deixou ver o ferimento. Quando chegaram os socorristas, eles me imobilizaram e também não permitiram que eu visse o que tinha acontecido. Meu irmão me disse que tinha sido fratura exposta, mas pelo tamanho da dor que eu sentia, já sabia que o negócio não era muito bom", relembrou Jane. "No hospital, ouvi o médico dizer não vai ter jeito e informou meu irmão que seria preciso amputar a perna na altura do joelho porque o hospital não tinha recursos para fazer uma cirurgia. Nessa hora, meu mundo desabou, mas quando veio a notícia de que haveria a possibilidade de manter a perna, veio a luz, o alívio."
O que levou o médico do hospital em Apucarana a lançar a esperança de manter a perna de Jane foi o caso de Luiz Eduardo Viezzi, de 30 anos, que passou pelo reimplante de mão após ter o membro arrancado durante um acidente ocorrido no final do ano passado, na BR-369, em Cambé (Região Metropolitana de Londrina). A cirurgia foi feita no Hospital do Coração e o fato foi amplamente divulgado na imprensa.
O irmão de Jane entrou em contato com o hospital em Londrina e a transferência foi feita no mesmo dia. O quadro dela, porém, era considerado mais grave porque houve uma grande perda óssea, de cerca de 20 centímetros, além de músculos, tendões e nervos. "Foram situações diferentes. O Luiz perdeu a mão, mas não muita substância. A Jane perdeu a parte anterior da perna quase toda. A única coisa que a gente levou em consideração para se esforçar para deixar a perna dela é que ela tinha sensibilidade na planta do pé", explicou o médico Tiago Ikeda, integrante da equipe de cirurgiões que operou Jane.
Para reconstruir a perna de Jane, os médicos tiveram muito trabalho. Foram mais de dez procedimentos cirúrgicos, mas os três principais somaram 27 horas. Para corrigir a perda óssea na perna esquerda, foi necessário retirar osso da perna direita. Para a cobertura da área reconstruída, foi retirada pele de várias regiões do corpo, como coxa e abdômen. Jane teve alta no último dia 22. "Nos dois meses em que passou no hospital, ela ia de uma a duas vezes por semana ao centro cirúrgico", disse o médico Alexandre Yoiti Aouyagui, também membro da equipe do Hospital do Coração especializada em microcirurgia.
Fora do hospital, Jane segue se recuperando em casa. O processo de reabilitação é longo e depende muito da paciente, mas os médicos já adiantaram que a recuperação não será total. "Não voltará a ser como era. Ela perdeu muita musculatura e o tornozelo dela é caído. Ela tem que recuperar essa extensão para deixar pelo menos neutro. Vai precisar do uso de órtese. O que ela tem é a sensibilidade da planta do pé, o que é uma boa coisa", disse Ikeda. "A reabilitação depende muito dela. O que contribuiu é que a Jane já praticava bastante atividade física e durante a fisioterapia fazia bastante exercício de fortalecimento, então tudo isso ajuda", comentou Aouyagui.
"A recuperação é demorada, mas estou aliviada. Foi um milagre", disse Jane. "Ela é muito bem humorada. Não teve tristeza, depressão. Sabia que ela era forte, mas não assim. Ela é muito guerreira. Estamos muito felizes. Graças a Deus deu tudo certo. Agora é só a recuperação", comemorou a mãe de Jane, Maria Massako.


