Curitiba - Os médicos que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) se dizem revoltados com o que chamam de descaso do governo federal. A classe não foi convidada para participar da elaboração do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Saúde que será lançado oficialmente na semana que vem. E nem viu as reivindicações que tem feito contempladas. Entre as principais exigências da categoria estão: melhoria no atendimento de postos de saúde e hospitais conveniados ao SUS, reajuste da tabela de procedimentos médicos, plano de cargos e carreiras para os médicos, piso salarial nacional e investimentos em infra-estrutura.
''Não temos visto mudanças significativas. A aprovação da regulamentação da Emenda 29 nos deixou desapontados pelos substitutivos e pela maneira em que se negociou a saúde. Fizeram uma chantagem política em cima da aprovação da CPMF como uma forma rasteira de se trocar a vida dos cidadãos que precisam do SUS pelos interesses políticos'', afirmou ontem José Luiz Gomes do Amaral, presidente da Associação dos Médicos do Brasil (AMB). A Emenda 29 deu um incremento de R$ 5 bilhões ao setor de saúde no orçamento de 2008 - quando se esperavam R$ 24 bilhões. Ontem, médicos do Paraná, Bahia, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe e Tocantins discutiram o setor da saúde pública num encontro na capital.
Um dos pontos mais discutidos foi a alteração da tabela do SUS que paga de R$ 2 a R$ 10 uma consulta quando a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) preconiza um mínimo de R$ 40. ''A tabela do SUS 'e absolutamente inaceitável'', disse Amaral. Hoje, 180 milhões de brasileiros são atendidos pelo SUS e outros 40 milhões pelo Sistema Complementar (planos de saúde). Esta semana, Amaral esteve com o ministro José Temporão, em Brasília, para levar uma sugestão dos médicos ao setor de saúde do Brasil. A sugestão foi dividida em três partes: entrega de uma lista de procedimentos médicos (4 mil), valores aceitáveis por procedimento (levando em conta o tempo gasto, a complexidade e a especialidade) e transparência (fazer com que o cidadão acompanhe quanto se paga para cada médico).
O presidente da Associação Médica do Paraná (AMP), José Fernando Macedo, lamentou o que chamou de falta de sensibilidade dos políticos e governantes do Brasil. ''Não dá para dizer que faltam recursos para analgésico no Hospital de Clínicas, como ocorreu estes dias. Em outros lugares faltam seringas, luvas, agulhas. Na verdade o que falta é sensibilidade para os políticos. Como tem dinheiro para a Copa do Mundo, bilhões e bilhões, para o Pan, e não tem para a saúde?'', questionou Macedo.

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