Curitiba - Hospitais superlotados, população doente pelos corredores, vítimas da falta de vagas e leitos para suprir a população carente, atendimento de baixa qualidade. Problemas que todos os dias são mostrados em matérias de TV e jornais, e que poderiam ser resolvidos com ''vontade política'' dos governantes, caso esses encarassem a questão da Saúde Pública como um projeto de Estado e não de governo, e garantissem financiamento prioritário e constante para o setor.
É essa a opinião da classe médica no Paraná, que decidiu usar o Dia do Médico, comemorado hoje, como mais um instrumento para levar sua luta adiante. ''O maior problema do SUS é a falta de financiamento'', diz Hamilton Lima Wagner, presidente da Associação Paranaense de Medicina de Família e Comunidade e diretor do Sindicato dos Médicos do Paraná. ''Sem dinheiro, os hospitais diminuem seus atendimentos pelo SUS, remuneram os laboratórios de forma inadequada, o que também gera serviços de baixa qualidade, médicos ganham mal. É uma bola de neve'', explica.
Nesse sentido, a categoria está se articulando nacionalmente em torno de dois projetos na área. Um deles é a aprovação pelo Congresso Nacional de projeto de lei regulamentando a Emenda 29, que prevê destinação de recursos para a saúde pública. Aprovada em 2000, a emenda prevê que os municípios destinem 15% de seus orçamentos para a saúde, os estados, 12% e a União deve aplicar o mesmo valor dos gastos do ano anterior acrescido da variação do Produto Interno Bruto (PIB). A estimativa é que só com a regulamentação da Emenda 29, o Orçamento da União em Saúde aumentaria de imediato R$ 10 bilhões.
Outro pleito refere-se à Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF). A preoupação é que, caso sua prorrogação seja aprovada, parte do imposto seja efetivamente destinado à área da sa© úde, conforme previa seu projeto original. ''O SUS, na teoria, segue uma filosofia maravilhosa, que garante o acesso universal, gratuito e com igualdade para toda população. O País tem verbas para sustentar um projeto asim, só falta vontade política'', argumenta Darley Wolmann Junior, diretor do Sindicato dos Médicos no Paraná e médico do Hospital de Clínicas.
Com recursos, o governo poderá aumentar também os pagamentos feitos pelo SUS. A Associação Médica do Paraná (AMB) lançou ontem um manifesto, enviado à clase política e lideranças da sociedade civil, lamentando a situação. Segundo a entidade, mesmo com o reajuste de 30% na tabela do SUS, anunciado recentemente pelo governo federal, os valores estão longe de atender a realidade. Uma consulta básica, hoje, não chega a R$ 5, e a consulta com especialistas ficará em torno de R$ 10 com o reajuste. ''Não temos nada a comemorar ainda. Qual a profissão que trabalha por R$ 10 com o tamanho da responsabilidade de um médico?'', questiona o presidente da AMP, José Fernando Macedo.
Macedo defende que os médicos que atuam pelo SUS deveriam receber, pelo menos, 30% dos valores da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), tabela determinada pelas sociedades científicas com valores mínimos para procedimentos médicos. Nos valores atuais, o médico receberia R$ 30,00 por uma consulta simples.

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