Médicos querem maior uso da morfina
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segunda-feira, 03 de maio de 1999
Vivian de Albuquerque 
Vômito, falta de ar, debilidade e muita dor fazem parte da sintomatologia dos doentes de câncer. Uma das drogas mais eficazes, recomendada inclusive pela Organização Mundial de Saúde, é a morfina, com 95% de resultados positivos. O problema é que muitos pacientes podem estar sofrendo à toa. Movidos pelo preconceito, médicos e governantes estariam impedindo o acesso dos doentes ao medicamento. O alerta é do professor Robert Twycross, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, que até o próximo dia 5 estará no Hospital Erasto Gaetner, em Curitiba, participando de cursos e debates sobre medicina paliativa ou confortadora.
Muitos médicos acham que ela pode causar dependência nos doentes, explica Twycross. Mas isso não é verdade. O mesmo acontece com os governos. Existe uma política internacional que os obriga a proibir o uso da morfina, como forma de evitar a propagação da droga. Só que, com isso, o acesso a ela fica restrito até mesmo aos médicos e pacientes, que não podem utilizá-la.
O médico, que também é um dos peritos da OMS em tratamento de dor e cuidados paliativos, esclarece que sua missão no Brasil e na América do Sul é justamente a de encorajar o desenvolvimento dos cuidados paliativos para o doente de câncer. Entre eles, o próprio uso da morfina e das aspirinas, aliado ao suporte psicológico do paciente e da família. Existem pacientes em várias partes do mundo que estão recebendo tratamentos caríssimos para o câncer, mas que poderiam estar muito melhor com o uso da medicina paliativa, garante. O problema é que muitas pessoas que desenvolvem a doença não podem ser curadas e, mais cedo, ou mais tarde, vão precisar do tratamento contra a dor. É necessário que haja um balanço entre os tratamentos paliativos, e o tratamento do câncer propriamente dito.
De acordo com o Hospital Erasto Gaetner 70% dos pacientes de câncer acabam morrendo, mesmo recebendo tratamento quimioterápico. Situação que se agrava ainda mais, diante das dificuldades de se controlar as dores provocadas pelos tumores. A gente estuda para prescrever a morfina, sabe dos resultados, mas quando vai receitá-la o paciente não tem dinheiro para comprar, lamenta o oncologista Roberto Bettega, coordenador do Serviço de Medicina Paliativa do Erasto Gaetner. O mínimo que queremos é tratar pelo menos da dor do paciente.


