Médicos que se doam
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terça-feira, 18 de outubro de 2011
Marcos Roman <br> Reportagem Local 
Salvar vidas e amenizar a dor de quem está passando por algum problema de saúde faz parte da rotina diária de quem optou pela Medicina. No entanto, alguns médicos vão além e colocam parte de seu tempo e disposição para desempenhar trabalhos voluntários. Em homenagem ao Dia do Médico, comemorado hoje, a FOLHA conta a história de profissionais que lutam para aliviar o sofrimento e melhorar a qualidade de vida de pessoas carentes.
Informar pais de crianças e adolescentes que o filho foi diagnosticado com câncer é uma da tarefa penosa entre muitas outras que a oncologista pediátrica Tânia Anegawa executa quase diariamente. Em 14 anos de profissão, ela conta que ainda se comove com o sofrimento das famílias dos pacientes que atende no Instituto do Câncer de Londrina (ICL), na UTI do Hospital Infantil e no Hemocentro do Hospital Universitário onde trabalha. Durante a guerra contra a doença, ela acompanha de perto cada batalha enfrentada pelos familiares e não polpa esforços para aliviar a dor das pessoas envolvidas nesse processo.
Há sete anos, a médica atua na ONG Viver, que oferece atendimento a crianças com câncer. ''Faço uma espécie de ponte entre o ICL e a ONG. Quando os pais ficam sabendo que o filho está com câncer surgem muitas dúvidas, agendo um horário para conversar com eles na ONG para esclarecer tudo. Também é comum eles pedirem um segundo diagnóstico e na maioria das vezes não têm condições financeiras para isso. Então ligo para vários médicos amigos meus e consigo consultas com desconto e até de graça.''
Segundo ela, há muitos momentos de dificuldade durante o tratamento. ''Geralmente o pai ou a mãe é obrigado a parar de trabalhar para cuidar do filho. Como são famílias carentes, muitas vezes eles não têm dinheiro nem para comprar uma remédio contra vômito que custa R$ 7. Então apelo para a ONG Viver e eles sempre dão um jeito de conseguir a medicação necessária'', afirma.
Tânia também está presente nos momentos de maior comoção. ''A maior alegria da minha vida é quando o paciente obtém a cura. Fico tão feliz quanto os pais. Por outro lado, a tristeza é muito grande quando o paciente não resiste'', afirma. É nessa hora que a médica estende mais uma vez a mão aos familiares. ''No caso de pessoas carentes, além de conviver com a dor da perda, na maioria das vezes os pais não têm condições de pagar pelo velório dos filhos. Então aciono a ONG Viver para diminuir a preocupação deles em relação aos gastos.''
Os gestos de solidariedade da médica são recompensados com atos de gratidão dos familiares dos pacientes. ''Eu estava andando rapidamente pelos corredores do Hospital Infantil quando uma mãe veio em minha direção e se ajoelhou para amarrar o cadarço do meu tênis. Ela disse que eu não podia correr o risco de cair pois muitas crianças dependiam do meu atendimento para sobreviver e que muitas mães rezavam todas as noites pela minha sa© úde'', conta.
Emocionada, Tânia lembra outro fato. ''Estava no ICL e uma mãe disse que como sua primeira filha havia morrido em meus braços ela havia levado a segunda filha ainda bebê para eu segurá-la nos braços. Fiquei muito comovida, mas na realidade essas mães é que me inspiram, pois são batalhadoras e muito fortes.''


