Nem só com pajelança se garante a saúde das comunidades indígenas. As tradições ainda resistem à aculturação mas cada vez mais os índios têm buscado a cura para suas doenças na medicina desenvolvida pelos não-índios. Ontem pela manhã, por exemplo, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) inaugurou um posto de saúde na aldeia caingangue Apucaraninha, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina).
  O responsável pelo pólo-base da Funasa em Londrina, Angelo Cançado Franco, aponta que tratar da saúde indígena ainda é um desafio. Embora a proximidade cada vez maior com centros urbanos tenha resultado na perda de muitos dos costumes ancestrais indígenas, muitos deles preferem recorrer a benzimentos e outras formas de tratamento mais afetas à sua cultura. O médico diz que os índios mais velhos, que conservam tradições de sua herança cultural, são os mais resistentes em seguirem tratamentos da medicina alopática – à base de medicamentos. ‘‘Não impedimos os benzimentos, por exemplo, mas reforçamos a necessidade do tratamento alopático’’, afirma Franco, ressalvando que as equipes de saúde da Funasa procuram não interferir nos hábitos culturais.
  Segundo o médico, as doenças mais comuns entre a população de 3,5 mil índios que habitam as sete aldeias da região são as verminoses e as doenças sazonais (as diarréias no verão e os problemas respiratórios no inverno). Outro problema sério mas que já conta com trabalho específico por parte da Secretaria Municipal de Ação Social é o alcoolismo.
  O posto inaugurado ontem, garante Franco, tem a estrutura necessária para atender a todos estes casos. Além disso, a unidade dispõe de gabinete odontológico para atendimento dos caingangues. Nos casos mais graves ou que exigem atendimento especializado, os pacientes são transferidos para Londrina, onde são atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Conforme a regional da Funasa, outros quatro postos semelhantes devem ser inaugurados até o final do ano em aldeias da região. A Funasa também desenvolve ações na área de saneamento básico, com obras que abastecem com água tratada 100% das aldeias e melhoramentos sanitários. (L.A.)

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