Curitiba - O Paraná comemora, pela primeira vez hoje, o Dia de Conscientização sobre a Saúde do Prematuro. A proposta de se criar uma data para lembrar gestantes e profissionais de saúde sobre a importância da prevenção da prematuridade e dos cuidados adequados aos bebês que nascem antes do tempo partiu da Sociedade Paranaense de Pediatria. A ideia foi encampada pela Assembleia Legislativa por meio da Lei 18.462, que entrou em vigor no dia 27 de abril de 2015. Quase 12% (11,7%) das crianças que nascem no Brasil são prematuras, apontou a pesquisa "Prematuridade e Suas Possíveis Causas", realizada pela Universidade Federal de Pelotas, com o apoio do Unicef e do Ministério da Saúde. O Paraná acompanha esse índice, diz a médica pediatra neonatologista Gislayne Castro e Souza de Nieto, idealizadora do projeto que deu origem à criação desse dia de conscientização. Ela é presidente do Departamento de Neonatologia da Sociedade Paranaense de Pediatria e chefe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital e Maternidade Santa Brígida, de Curitiba.
Segundo a médica, embora os avanços tecnológicos e científicos recentes tenham aumentado as chances de sobrevida dos prematuros, o acompanhamento adequado dos bebês após a alta da UTI e o trabalho de prevenção da prematuridade ainda precisam ser intensificados. "Hoje as crianças sobrevivem mais e têm uma boa evolução de desenvolvimento com menos sequelas. Mas a prematuridade continua sendo um fator de risco para problemas neurológicos, alterações de crescimento, dificuldade de ganho de peso, entre outras. Por isso, devemos trabalhar a conscientização", explica.
Gislayne Nieto diz que os fatores de risco mais comuns que levam à prematuridade dos bebês são as gestações múltiplas, hipertensão e infecções durante a gravidez. Fazer o pré-natal, cuidar da alimentação, não fumar e não usar drogas são formas de prevenir. A pediatra afirma que a sociedade precisa estar mais atenta ao problema da prematuridade, que envolve um tratamento de alta complexidade, em que o recém-nascido chega a ficar meses internado em UTIs. Mesmo depois de deixar o hospital, a criança precisa de cuidados intensos, com acompanhamento multiprofissional nas áreas de neurologia, cardiologia, pneumologia, fisioterapia e fonoaudiologia.

Médicos pedem atenção à saúde do prematuro
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O Paraná, segundo a médica, dispõe de centros de cuidados de prematuros, mas eles estão localizados em cidades maiores, como Curitiba e Londrina. O ideal, na opinião da pediatra, é que essas unidades se multipliquem nos sistemas público e privado e sejam instaladas em um número maior de municípios. De acordo com Gislayne Nieto, entre os recursos disponíveis atualmente para melhorar a qualidade de vida dos pacientes da UTI neonatal estão: o uso de sulfactante por administração pulmonar (para melhorar a capacidade respiratória do bebê), avanços para a nutrição adequada à idade da criança, controle mais efetivo de infecções e estratégias para diminuição da retinopatia da prematuridade (patologia que afeta o desenvolvimento da visão).
Entre as ações de conscientização, o Hospital Santa Brígida realizará, amanhã, das 14 às 15 horas, a palestra "A Importância dos Primeiros Mil Dias de Vida". A programação, que é aberta ao público, inclui uma exposição de fotografias de bebês que nasceram prematuros no Santa Brígida e hoje vivem com saúde. O hospital fica na Rua Guilherme Pugsley, 1.705, Água Verde.

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