Usuários que procuraram, ontem de manhã, a Unidade Básica de Saúde (UBS) Orlando Cestari, no jardim União da Vitória (zona sul de Londrina), não foram atendidos. Os quatro médicos que trabalham no local suspenderam o atendimento em protesto contra a falta de segurança. Os pacientes tiveram que ser encaminhados para outras UBS e hospitais da cidade. Apenas serviços de enfermagem foram prestados. O atendimento só foi normalizado à tarde.
De acordo com uma enfermeira, que não quis se identificar, o estacionamento da UBS fica ao lado de um barranco, o que facilita a entrada de pessoas estranhas. ''Até criança consegue entrar aqui. Como é escuro, fica fácil se esconder'', explicou. Ela afirmou que o arrombamento de carros é comum e, na semana passada, um médico teve seu carro roubado por dois homens armados que estavam no estacionamento.
Depois do último incidente, a secretaria se comprometeu a cercar o muro com arame farpado e colocar um guarda à noite. Mas, de acordo com funcionários, essas medidas não garantem a segurança, uma vez que vários arrombamentos aconteceram durante o dia.
A pediatra Luci Hirata afirmou que está difícil encontrar profissionais para trabalhar no local por conta da violência. ''Não queremos sair de lá, gostamos da população e do nosso trabalho, mas nos sentimos muito inseguros'', explicou.
A dona de casa Silvana Monteiro da Silva, 29 anos, esperava por atendimento. Ela disse apoiar o movimento dos médicos, mas não achou certo suspender o atendimento. ''É a gente que sofre, que fica sem médico'', reclamou.
A pediatra, dois clínicos-gerais e o plantonista se reuniram, ainda na manhã de ontem, com a diretora executiva da secretaria municipal de Saúde, Margaret Shimiti, pedindo medidas mais eficazes de segurança. Segundo Margaret, a secretaria irá pedir à Polícia Militar que intensifique o policiamento. Ela solicitará ainda a abertura de licitação para a contratação de uma empresa de segurança. ''O problema é que, por lei, órgãos públicos não podem ter segurança armada, como querem os médicos'', afirmou.
O comandante da companhia responsável pelo policiamento dos setores sul e oeste, tenente César Kister, disse que irá conversar com a direção do posto de saúde para saber detalhes dos problemas enfrentados pelos servidores. Ele adiantou, porém, que uma viatura ficará no local até a situação ficar mais calma. ''Mas vamos fazer isso sem prejudicar o trabalho de policiamento no bairro'', afirmou.

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