Médicos fazem mutirão para liberar corpos
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terça-feira, 24 de setembro de 2002
Denise Angelo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os médicos-legistas que estão em greve no Paraná desde o início da segunda-feira, fizeram um mutirão ontem para liberar os corpos que se encontravam recolhidos nas sedes do Instituto Médico Legal (IML). Em Curitiba, como o IML não funcionou na segunda-feira, 15 corpos foram levados para o necrotério de Campina Grande do Sul. Ontem oito médicos passaram a tarde fazendo a necrópsia para liberar os corpos aos familiares.
O médico-legista Paulino Pastre disse que esse serviço estava sendo feito em respeito aos familiares das pessoas mortas. ''Nosso movimento tem limites éticos bem definidos'', reforçou, salientando que os eventuais problemas que a população venha a enfrentar por causa da greve devem ser creditados ao governo do Estado, ''que não teve pressa em atender a categoria.''
Segundo um dos líderes do movimento grevista, João Ricardo Fiedler, o trabalho de liberação dos cadáveres deve continuar, mesmo durante a vigência do movimento. Mas os médicos não estarão trabalhando durante o dia todo. A atividade será concentrada das 14 horas às 18 horas. O modelo adotado em Curitiba será seguido por todos os demais IMLs que aderiram à greve.
Hoje, às 14 horas, os organizadores do movimento participam de uma reunião com o secretário estadual de Administração, Ricardo Smijtink, para que o governo apresente uma proposta que ponha fim ao movimento. Os grevistas queriam que o Plano de Cargos, Carreiras e Salários da Polícia Científica fosse votado pelos deputados antes das eleições. Essa reivindicação já não será mais atendida porque hoje começa o recesso na Assembléia Legislativa. Os deputados só voltam ao trabalho depois das eleições de 6 de outubro.
Em Londrina, o perito do Instituto de Criminalística, Luciano Bucharles, que integra o comando de greve, reforçou que a situação continuava a mesma ontem no IML e no IC da cidade. Em Londrina trabalham cerca de 40 pessoas nesses dois institutos e praticamente todas elas aderiram à greve.
''Estamos atendendo apenas os locais de morte e as necrópsias'', apontou. Como o dia ontem foi tranquilo, os servidores dos dois institutos não realizaram nenhuma perícia.
Ele apontou que com a greve pelo menos 10 exames estão deixando de ser realizados diariamente. ''Das 250 modalidades de procedimentos que realizamos apenas dois estão sendo atendidos'', disse. (Colaborou Luciano Augusto, de Londrina)


