Curitiba - Médicos e farmacêuticos de todo o Brasil participaram ontem de uma manifestação pública em defesa da saúde. Tendas foram montadas na Praça Santos Andrade, em frente ao prédio histórico da Universidade Federal do Paraná, onde foram distribuídos panfletos orientando a população sobre a importância do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Uma das principais reclamações é com relação ao valor pago na tabela do SUS para procedimentos médicos - que ficariam abaixo da tabela nacional e não cobririam custos dos hospitais com manutenção. Uma consulta médica remunera os hospitais credenciados em R$ 2 e uma consulta especializada em R$ 10.
Em Londrina, um grupo de médicos que atende na Santa Casa, Hospital Infantil e Mater Dei ameaça paralisar o atendimento a partir de hoje. Eles dizem que os salários de mais de 400 profissionais, incluindo fisioterapeutas, estão atrasados.
''Estamos aqui para dizer ao Brasil que é hora de refletir sobre a assistência à saúde. Temos que dar um basta ao sistema público nacional, que é deficiente. O sistema se diz inclusor, mas deixa fora do manto protetor mais de 42 milhões de brasileiros'', ponderou Edson de Oliveira Andrade, presidente do Conselho Federal de Medicina. Somente no Paraná, são realizadas 3 milhões de ações médicas básicas e especializadas pelo SUS por mês. Em Curitiba, são 8 mil consultas médicas por dia. ''Hoje 80% dos usuários do SUS dependem exclusivamente do sistema público, que precisa ser de qualidade. O SUS é talvez a maior conquista nacional e não pode ser deixado de lado'', reforçou Gilberto Martim, secretário de Estado da Saúde.
O diretor do Hospital de Clínicas (HC) da UFPR, Giovani Loddo, disse que os recursos recebidos pelos procedimentos médicos são insuficientes e que os hospitais credenciados sobrevivem com dificuldades de pessoal e de estrutura. Segundo ele, o custo de um ambulatório é de R$ 4 mil/dia. No entanto, a tabela do SUS é insuficiente para o pagamento de procedimentos.
Dados do Ministério da Saúde demonstram que são realizadas mais de 60 mil internações pelo SUS no Paraná. A média de honorários médicos é de R$ 91,90. Os médicos brasileiros estão desde quarta-feira em Curitiba e participam também de um encontro nacional, que termina hoje. No final do encontro, será produzida a chamada Carta de Curitiba, que será entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao Ministério da Saúde e ao Congresso Nacional.

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