A partir de segunda-feira, os 30 cardiologistas de Maringá passam a atender somente a um plano de saúde, a Unimed, que está pagando aos médicos R$ 31,00 por consulta. Os pacientes de outros convênios também serão atendidos, mas terão de pagar R$ 39,00 pela consulta. ‘‘Nós daremos o recibo e os pacientes tentarão resgatar o valor com seu convênio’’, informou ontem o cardiologista Wilson Kyoshima, 37 anos, um dos líderes do movimento.
O movimento contra o preço pago pela maioria dos convênios começou em julho, quando os médicos da cidade enviaram documento aos planos de saúde dando prazo até 31 de agosto para que o valor da consulta fosse equiparado ao da Lista de Procedimentos Médicos da Associação Médica Brasileira (AMB), elaborada no ano passado.
‘‘A grande maioria dos convênios utiliza ainda a tabela da AMB de 1992 e alguns usam até a de 1990, com preços defasados há sete anos. Vamos aceitar somente a Unimed porque é o plano que mais se aproxima de nossa reivindicação, que é de R$ 39,00’’, explicou Kyoshima. O valor médio pago hoje por consulta pelos convênios é de R$ 16,00.
Kyoshima disse que o movimento contra os planos de saúde já tem caráter nacional. ‘‘Começou no Rio e São Paulo, se instalou em Londrina e agora chega a Maringá. Queremos deixar bem claro que não é um movimento contra o usuário do plano. A este continuaremos atendendo normalmente, principalmente os casos de urgência e emergência dos hospitais’’.
‘‘Na verdade o que queremos de fato é elaborar nossa própria tabela, a exemplo dos advogados. Já existe até um parecer do Supremo Tribunal Federal a nosso favor.’’
Kyoshima culpou o próprio mercado pela crise dos convênios. ‘‘Tem plano de saúde aqui em Maringá que cobra R$ 19,00 mensais e oferece de tudo ao usuário. Resultado: devido à concorrência, que não é lá muito ética, atende mal o usuário e paga pouco para o prestador do serviço, no caso o médico’’. Os 30 cardiologistas de Maringá atendem em quatro clínicas especializadas e consultórios espalhados pelo centro da cidade.

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