Curitiba - Comunidade médica e autoridades da área da saúde, ainda, não chegaram a um consenso sobre a inclusão da vacina contra doenças pneumocócicas no calendário nacional de imunização, apesar da Organização Mundial da Saúde (OMS) já ter feito essa recomendação. Enquanto isso não acontece, apenas os Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais (Cries) - 38 no País - oferecem, gratuitamente, as doses da vacina pneumocócica conjugada 7-valente e, ainda assim, para um público restrito. No Paraná, existem dois Cries, que atendem todo o Estado: em Londrina e Curitiba.
De um lado, a Sociedade Brasileira de Pediatria e especialistas em infectologia recomendam que crianças, a partir de dois meses, recebam a vacina antipneumocócica, levando em consideração que as doenças causadas pelo pneumococo - que incluem pneumonia, meningite, septicemia (infecção generalizada), otite média e sinusite - são a principal causa de morte infantil no mundo. A estimativa é de 1 milhão de mortes por ano. Na outra ponta, o Ministério da Saúde pondera a relação entre custo e efetividade da vacina para decidir sobre sua adoção no calendário nacional.
O médico-infectologista Jaime Rocha, responsável pelo serviço de vacinação de uma rede de laboratórios, lembrou que a vacina pneumocócica 7-valente já faz parte dos programas de imunização de massa de alguns países, como Estados Unidos. No Brasil, há um estudo para incluí-la na lista de vacinas do calendário nacional de imunização, mas a disponibilização da vacina contra o rotavírus acabou sendo priorizada, no ano passado, por causa do elevado número de mortes registradas: cerca de 2 mil. ''Apesar de ser uma vacina mais cara, é mais importante do ponto de vista social'', avaliou o médico.
Mesmo concordando com a necessidade de priorizar a imunização contra o rotavírus, Rocha defende que a vacina contra doenças pneumocócicas faça parte, o quanto antes, do calendário nacional de imunizações. Além dos Cries, a vacina é encontrada nos laboratórios particulares, onde o valor da dose pode variar de R$ 220,00 a R$ 275,00. São necessárias quatro doses para completar a imunização.
O coordenador do Crie de Londrina, Gerson Zanetta de Lima, destacou que a vacina pneumocócica conjugada possui antígenos contra sete das 90 cepas conhecidas. ''Essas sete cepas, nos Estados Unidos, são responsáveis por aproximadamente 85% das doenças invasivas (principalmente septicemia e meningite), que por sua vez causam a maior parte das mortes por estes patógenos'', apontou. Mas, no Brasil, a realidade é diferente. ''As principais cepas invasivas (a 1 e a 5) não estão contidas na vacina, o que torna sua eficácia menor por aqui: no máximo 68% das doenças invasivas.''
Lima adiantou que a Universidade de São Paulo (USP) está fazendo o estudo do custo e efetividade da vacina antipneumocócica. Ele explicou que é preciso levar em conta, por exemplo, a importância epidemiológica das doenças, se a imunização refletiria na redução dos gastos com hospitalização e se a indústria farmacêutica tem condições de atender a demanda no País. No caso da pneumocócica 7-valente - conhecida internacionalmente como Prevenar -, o médico lembrou que há, apenas, um único fabricante no mundo - a Wyeth.
Segundo informações da assessoria de imprensa da Wyeth, a vacina pneumocócica conjugada 7-valente já está disponível em 74 países e faz parte do programa nacional de imunização em 16 deles.

Serviço - O Crie em Curitiba fica na Rua Barão do Rio Branco, 465, fone (41) 3322-2299 ramal- 207. Em Londrina, funciona no Ambulatório do Hospital de Clínicas, ao lado da UEL, fones (43) 3328-3533 (43) 3371-5750

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