Médicos do HU falam sobre ''crise do ponto''
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sexta-feira, 22 de junho de 2007
Fernanda Borges<br> Reportagem Local 
Médicos do Departamento de Clínica Cirúrgica do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Londrina (UEL) se reuniram para manifestar, por meio de uma carta, a maneira como avaliam o momento crítico vivenciado pelos trabalhadores do Hospital Universitário (HU) de Londrina. A iniciativa foi articulada depois que os profissionais da saúde passaram a observar um ''clima de desconfiança'' dentro da instituição depois das denúncias de fraude no cartão ponto do hospital.
No último dia 14, por meio de uma entrevista coletiva, o reitor Wilmar Marçal, acompanhado do vice-reitor César Caggiano, pró-reitores e diretores de centros, divulgou imagens feitas pelas câmeras de vigilância interna do hospital que mostram médicos passando mais de um cartão ou passando o cartão-ponto, entrando no hospital e saindo após alguns minutos.
O chefe do Departamento de Clínica Cirúrgica, Marco Aurélio de Freitas Rodrigues e o médico Francisco Gregori estiveram na redação da FOLHA ontem, para apresentar uma carta em nome de todos os médicos do departamento. Segundo Rodrigues, os profissionais sentiram a necessidade de apresentar uma explicação à população, principalmente pelo fato das pessoas estarem ''tirando conclusões equivocadas''.
''A forma como as informações foram colocadas foi muito ruim para o hospital. É um direito da UEL buscar a maneira mais adequada para registrar a presença do profissional, mas não há uma isonomia. Também acreditamos que houve um despreparo e os departamentos não discutiram qual a maneira mais adequada para implantar o cartão-ponto'', questionou o médico.
Rodrigues deixou claro que o departamento não pretente polemizar ainda mais o assunto, mas reforçou que por conta desse caso, a atitude de pacientes em relação aos profissionais do hospital mudou. Segundo ele, desde que as denúncias foram divulgadas os pacientes têm demonstrado insegurança em relação aos médicos.
Segundo Gregori, já aconteceram casos em que pessoas batem nas portas do pronto-socorro criando ''situações constrangedoras''. ''Eles fazem comentários e até as próprias atendentes estão sendo prejudicadas'', comentou.
Ainda de acordo com o chefe do departamento, os profissionais envolvidos não atuam diretamente no atendimento dos doentes e sim nos serviços com demanda previamente definida pelo SUS. ''Houve uma falha, não está certo o que esses colegas fizeram, mas a situação será apurada. Não queremos mais problemas e por meio desse documento a nossa intenção é deixar claro que os médicos não estão deixando de atender nenhum paciente'', concluiu.


