Médicos discutem condições de trabalho
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segunda-feira, 21 de julho de 2008
Thiago Alonso<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Cerca de 200 médicos dos três maiores prontos-socorros de Curitiba vão se reunir hoje, às 20 horas, para discutir as condições de trabalho nos hospitais Evangélico, Cajuru e do Trabalhador. Comandado pela Associação Médica do Paraná (AMP), o encontro visa ouvir dos profissionais os problemas enfrentados nos atendimentos de emergência. Entre as principais reclamações estão os baixos valores pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e a falta de espaço físico para comportar os pacientes.
Hoje, muitos pacientes que deveriam ser internados ficam no pronto-socorro esperando uma vaga. Enquanto isso, do lado de fora da emergência, doentes esperam uma média de 30 minutos a duas horas pelo atendimento. Em um caso presenciado pela reportagem da FOLHA no Hospital Evangélico, um paciente em estado grave aguardava no ambulatório uma vaga na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).
Essa situação acontece com frequência nos três PS da Capital. A informação é do médico Luiz Felipe Mendes, responsável pelo pronto-socorro clínico do Hospital Evangélico. Hoje, o Evangélico atende diariamente uma média de 225 pacientes. O Cajuru registra entre 150 a 200 atendimentos, enquanto o Hospital do Trabalhador recebe de 240 a 300 pessoas por dia.
Enquanto os atendimentos cresceram, o número de leitos é o mesmo de 10 anos atrás, diz Mendes. A falta de espaço para comportar a demanda acaba gerando um conflito entre pacientes e médicos. Os doentes querem ser atendidos rapidamente, o médico precisa de tempo para dar a devida atenção a todos. Como resultado ocorrem ''atendimentos mecânicos'', como diz Mendes, e pacientes insatisfeitos. Em situações limite, médicos já foram agredidos. ''O insulto faz parte do dia-a-dia do médico'', conta. Em relação a agressões, ele diz que a ocorrência tem sido menos comum que há alguns anos atrás.
SUS
Outra reclamação constante por parte dos médicos é o valor pago pelo SUS. Um médico recebe do SUS R$ 8 por uma consulta de emergência e R$ 2 para outros atendimentos, como de pediatria. Se fosse em uma clínica particular, o valor do serviço estaria entre R$ 150 a R$ 200. Para um plantão de 12 horas no pronto-atendimento, como acontece atualmente, um médico recebe pelo SUS uma média de R$ 25 a hora.
''A tabela do SUS e dos convênios não são alteradas há muito tempo'', diz Gilberto Pascolat, assessor da Diretoria do Hospital Evangélico e médico da especialidade de pediatria do local. Os baixos valores e grande nível de estresse faz com que muitos médicos evitem atender em pronto-socorros.
A reunião desta noite será a primeira de muitas outras previstas. A intenção é encontrar formas de melhorar as condições de trabalho dos médicos. ''Melhorando as questões de tempo, espaço, o médico poderá se dedicar mais aos pacientes, que reclamam que os atendimentos hoje são 'rápidos e rasteiros'. Não seria tão mecânico quanto é hoje'', diz Mendes.
Soluções
O vice-presidente da Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar), Charles London, disse que a entidade pactua com a posição dos médicos em relação às deficiências no atendimento hospitalar e tem buscado soluções conjuntas. Ele destacou que essa falha é decorrente da defasagem nos recursos do SUS para que os hospitais possam investir em melhorias na estrutura física e corpo médico.
London explicou que, para cada R$ 100,00 gastos com cada paciente, no atendimento geral, por exemplo, o déficit de cobertura do SUS é de 40% a 45%. Essa seria uma das razões para não sobrar dinheiro no caixa dos hospitais para investimentos. ''No estágio atual, uma solução para isso passa, obrigatoriamente, pela regulamentação da Emenda Constitucional 29, que garantiria mais recursos para a saúde'', afirmou.(Colaborou Andréa Lombardo)


