Médicos discutem avanço da Aids entre gestantes
Lino Ramos
De Londrina
O avanço da Aids entre gestantes foi discutido ontem na Associação Médica de Londrina, dentro dos Serões Brasileiros de Pediatria. O tema foi abordado pela médica Jaqueline Dario Capobiango, professora do Setor de Moléstias Infecto-contagiosas do Hospital Universitário (HU) e responsável pelo Ambulatório de Aids Pediátrica do Hospital de Clínicas (HC) de Londrina. Segundo ela é cada vez maior o número de crianças contaminadas por gestantes portadoras do vírus HIV. A transmissão de mãe para filho pode ocorrer durante a gestação, parto ou amamentação. Durante o nascimento, o risco é maior pois a criança fica a exposta ao sangue e secreções vaginais.
A médica afirma que de 1987 até este ano foram registrados aproximadamente 55 casos em Londrina. Destes, 28 estão em andamento. Jaqueline Capobiango diz ainda que no Brasil foram notificados 170 mil casos de Aids de 1980 a agosto do ano passado. Desse total, 41.052 ocorreram com mulheres e 5.778 foram com crianças. O número aproximado de gestantes infectadas em 99 era de 13 mil. Chega a ser de 1% a 2% das gestantes do País, alertou.
A professora do HU lembra que não existem mais grupos de risco e ocorreu a feminização da doença, pois em 84 a proporção era de uma mulher para 14 homens portadores do vírus. No ano passado essa proporção já era de dois para um. Jaqueline Capobiango adverte que a Aids não está sob controle e somente campanhas de prevenção e o uso de AZT podem evitar que gestantes infectadas transmitam a doença para seus filhos. A taxa de transmissão de uma mulher infectada para o feto é de 25%. Quando a mãe toma o AZT essa taxa cai para 8%, afirmou a médica do HU.
Segundo Jaqueline Capobiango, os médicos devem oferecer às gestantes o teste do HIV, pois 80% das infectadas não apresentam sintomas porque o vírus pode se manifestar num prazo de dois a 10 anos. Na opinião da médica, o exame deveria ser rotina na rede pública de saúde, mas somente o HU tem adotado essa medida preventiva. Em caso positivo, a mãe deve ser submetida a um tratamento com AZT a partir de três meses e meio de gravidez. Durante o parto a mulher recebe AZT diretamente na veia e depois do nascimento a criança também passa a tomar a droga. As reações adversas na criança não são significativas, disse a médica.





