São Paulo Não culpe o fígado. Aquele mal-estar estomacal e a ressaca que abatem depois de excessos natalinos nada têm a ver com ele. É do estômago mesmo a origem de tanta indisposição. E aqueles medicamentos populares de venda livre, tidos como protetores do fígado alguns oferecidos em pequenas garrafinhas não têm capacidade de preservar ou recuperar o órgão.
''Comer e beber não faz mal ao fígado. O que existe são problemas de estômago e medicamentos que facilitam a digestão'', afirma Granville Oliveira, assistente da gerência geral de medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). ''Esses remédios não têm nada que mostre que sejam hepatoprotetores'', afirma Flair Carrilho, professor do Departamento de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Segundo o hepatologista clínico Marcio Dias de Almeida, da Unidade do Fígado do Hospital Albert Einstein de São Paulo, ''o segredo é alimentação e hidratação. E não abusar.'' Ele afirma que ingerir carboidratos (que serão transformados em açúcar) ajuda a diminuir os sintomas da ressaca. A sensação de estar ''mareado'', enjoado, vem da falta de glicose. O álcool diminui a capacidade do corpo de transformar os nutrientes na substância um combustível para o organismo.
A bebedeira causa ainda a perda de magnésio, que também contribuiu para a tontura, boca seca. Por isso comer pão, arroz e feijão, que contêm a substância, pode ajudar, antes e depois, afirma ainda o hepatologista Almeida. A maior parte das drogas anti-ressaca, afirma ele, tem analgésicos, que podem contribuir para uma melhora geral. Outras ainda têm cafeína, um estimulante.
Segundo o gastroenterologista Jaime Eisig, do Hospital das Clínicas de São Paulo, no ''tratamento'' dos abusos natalinos deve-se evitar produtos efervescentes. Em geral, eles causam alívio imediato, mas alguns contêm bicarbonato de sódio e aspirina, que podem irritar ainda mais o estômago depois da ingestão do remédio.

mockup