Cascavel - O presidente da Associação Médica de Cascavel (AMC), Luiz Amélio Bulgarelli, manifestou-se ontem sobre o impasse estabelecido entre a secretaria municipal de Saúde e os médicos que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). A secretaria vem recebendo muitas reclamações de que os médicos não estão cumprindo a carga horária de quatro horas, pela qual foram contratados. Cerca de 180 médicos atendem na rede municipal de saúde.
Segundo Bulgarelli, ‘‘não faz sentido’’ o médico permanecer na Unidade Básica de Saúde após efetuar as 16 consultas estabelecidas diariamente. ‘‘É contra-produtivo e faz do médico uma mera figura decorativa. Se é para satisfazer contrato, vá lá, mas será um desperdício manter profissionais de auto nível atado a burocracia de um contrato leonino’’, reclama.
Para o presidente, é preciso esclarecer a população que a função das unidades básicas está originalmente programada para consultas eletivas, isto é, marcadas com antecedência. Ele entende que cabe ao órgão gestor, no caso a prefeitura, cobrar solução e qualidade no atendimento, além de proporcionar treinamento e qualificação profissional.
O médico completa que é preciso melhorar as condições de trabalho e dar uma ‘‘remuneração justa’’. Ele afirma que o salário base de R$ 345,00 é ‘‘incompatível com a responsabilidade que recai sobre o profissional médico e com a especialização exigida para exercer a função’’.
Segundo o presidente da AMC, para que a saúde seja realmente levada a sério, prioridade em qualquer governo, é necessário presdisposição para debater abertamente os problemas, ‘‘pois não há verdade absoluta, nem sistema perfeito’’.
A assessoria de imprensa da prefeitura informou que a secretária de Saúde, Lilimar Mori, irá se reunir com os médicos para tentar um acordo sobre o problema. A assessoria lembrou que os problemas de cumprimento de horário na área de saúde são antigos em Cascavel.

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