Os prontos-socorros (PS) dos hospitais filantrópicos de Londrina (Evangélico, Santa Casa, Infantil e Hospital do Câncer) vão permanecer fechados pelo menos até amanhã. A decisão foi tomada em assembléia realizada pelos médicos plantonistas que prestam serviço para o Sistema Único de Saúde (SUS) na manhã de ontem. Na última sexta-feira, eles pediram demissão em massa das escolas de plantão devido aos atrasos nos pagamentos de incentivos previstos em contrato firmado com o município.
Segundo o diretor clínico da Santa Casa, Weber Arruda Leite, a decisão de não retomar os plantões foi tomada por três motivos básicos: o pouco tempo para convocar os profissionais para a assembleia (a sessão extraordinária da Câmara de Vereadores que aprovou projeto de lei autorizando a prefeitura a utilizar recursos do município para pagar os incentivos e prevê o parcelamento dos débitos terminou no início da noite de sexta-feira); a ausência dos secretários de Saúde e Gestão Pública para esclarecer as dúvidas dos médicos; e a avaliação, entre os presentes, de que a atual administração está dificultando o diálogo. ''Não queremos confronto, queremos voltar a atender a população'', argumentou Leite.
Representantes dos médicos tentarão agendar nova reunião com prefeito e secretários amanhã de manhã. No final da tarde a direção de cada um dos hospitais se reúne com seu corpo clínico para discutir o assunto.
Atendimento centralizado -
A crise enfrentada pela saúde em Londrina antecipou a instalação do Complexo Regulador Municipal, cuja função é centralizar o atendimento pré-hospitalar e organizar o encaminhamento de pacientes. Desde ontem, além de gerenciar a demanda do Serviço de Atendimento Móvel de Emergência (Samu) e do Siate, a Central de Regulação Hospitalar está administrando também o encaminhamento para leitos solicitados pela 17 Regional de Saúde e pelos serviços internos do município.
As informações são de Alessandro Sella de Godoy Bueno, coordenador médico do complexo regulador. A iniciativa visa garantir assistência aos pacientes que realmente precisam ser internados e poderiam ficar sem vagas por causa do fechamento dos PS.
A maioria dos pacientes tem sido atendida no Hospital Universitário (HU), que mantinha 56 pessoas internadas ontem de manhã. A capacidade da instituição é de 48 leitos. Anteontem, um paciente de Londrina precisou ser encaminhado para o Hospital João de Freitas, em Arapongas (Norte). Apesar do fechamento dos PSs, a situação estava tranquila ontem nos hospitais públicos.
Na sala de espera do HU, havia apenas pacientes que já tinham sido atendidos em outras instituições e foram encaminhadas para avaliação especializada. É o caso do aposentado Domingos Anastácio, 66, que sofreu uma queda e esperava, dentro da ambulância do Samu, pela consulta com um ortopedista. Ele se machucou anteontem, procurou o Hospital da Zona Norte, foi encaminhado para o HU e tentava, desde então, o atendimento com o especialista.

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