Médicos debatem limite de cesárias
Médicos debatem limite de cesárias
Israel Reinstein
Arquivo FolhaVânia Soares, do Comitê Estadual Infanto-Materno: A única maneira de diminuir o número de cesarianas é através da informação, que mostre os riscos das cirurgias. Outro problema é saber se os hospitais têm estrutura para humanizar o parto natural. De cada 100 partos realizados hoje no Brasil, 47 são cesarianas
A proposta do Ministério da Saúde de limitar o pagamento do número de cesarianas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é vista com cautela pela Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Paraná e pelo Comitê Estadual de Mortalidade e Prevenção Infanto-materno. As duas entidades consideram a proposta insuficiente para diminuir o número de cesarianas no País, que hoje alcançam 47 casos para cada 100 partos. Pela proposta, o Ministério vai deixar de pagar as cesárias que ultrapassem 40% dos partos.
Uma das críticas em relação à medida é que diminuição dos pagamentos via SUS podem fazer com que os pacientes migrem do sistema público para o privado. No caso das cesarianas, o que falta é basicamente informação, porque os pacientes e também alguns médicos optam pela praticidade da cirurgia, que dura alguma horas, comenta o presidente da Sociedade, Hélcio Bertolozzi Soares, que ontem, em Curitiba, decidiu reunir os especialistas para discutir os impactos da medida.
O problema é saber se os hospitais têm estrutura para humanizar o parto natural, que envolve muitos profissionais e demanda algumas horas de trabalho, avalia a coordenadora do Comitê Estadual Infanto-Materno, a enfermeira sanitária Vânia Muniz Nequer Soares.
O médico Bertolozzi explica que um parto natural ideal exige o acompanhamento de médicos, psicólogos, enfermeiras, assistentes sociais, além do marido. Em muitos hospitais do interior, não existe estrutura básica para atendimento dos casos comuns, afirma.
Vânia conta que o problema da cesariana é que expõe a mãe e o filho na hora da operação. Segundo ela, o índice de mortalidade nas operações é duas vezes maior que num parto natural. No Paraná, de cada 100 mil partos acontecem 80 óbitos. Este é um número alto, dez vezes maior que o aconselhado pela Organização Mundial de Saúde, afirma.
A coordenadora do comitê estadual afirma que o parto natural é mais saudável, pois evita, por exemplo, infecções hospitalares. A única maneira de diminuir o número de cesarianas é através da informação, que mostre os riscos das cirurgias.





