Médicos dão explicações a promotor
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de julho de 1997
Edmara Michetti Londrina 
Representantes da Associação Médica de Londrina (AML) prestaram esclarecimentos ontem ao Ministério Público sobre a atuação da entidade com relação às empresas de convênios médicos. Eles apresentaram, ao promotor Bruno Galatti, documentos e planilhas demonstrando os custos das consultas e demais procedimentos estipulados pela Lista de Procedimentos Médicos de 96 (LPM).
Definida pela Associação Médica Brasileira (AMB), a LPM é o principal entrave na negociação entre o Departamento de Convênios da AML e as empresas. Com a aplicação da lista, os valores dos procedimentos em geral sofrem aumento médio de 20% - com exceção da consulta, que teria um reajuste maior em alguns casos. Atualmente os convênios pagam entre R$ 18,00 e R$ 30,00 pelas consultas que, pela LPM, custariam R$ 39,00.
Outra dificuldade nas negociações é a proposta de credenciamento universal de médicos feita pela AML, recusada pelos convênios. Segundo explicações da AML ao promotor, esse credenciamento significaria uma ampliação no número de médicos disponíveis aos usuários de convênios particulares. Dos cerca de 1.000 médicos de Londrina, 700 são associados à AML e, desses, 620 fazem parte do Departamento de Convênios. Os usuários não ficariam limitados aos médicos de seu convênio. E, se a concorrência é para valer, os médicos teriam que se manter atualizados e atender muito bem, afirmou o diretor do Departamento de Convênios da AML, Pedro Garcia Lopes.
Dos mais de 40 planos de saúde contatados pela AML, segundo o médico Lopes, cerca de metade se interessou em se credenciar ao Departamento de Convênios, aceitando as propostas. Os problemas se concentram com o convênio Amil e Clinihauer - ligados à Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abrange) - e Golden Cross - vinculado à Federação Nacional de Seguros (Fenaseg) - além das 11 empresas locais participantes do sistema de autogestão em saúde representadas pela Associação das Entidades Paranaenses de Benefícios Assistenciais (Assepas).
Diante do impasse, o promotor quis saber como ficam os usuários. A AML vai propor aos convênios já credenciados ao departamento que aceitem os usuários dos planos ainda sem acordo, eliminando o período de carência. A lista dos convênios que aceitarem a proposta deve ser entregue ao promotor nos próximos dias. Na próxima semana, o promotor pretende ouvir os convênios em conflito com a AML. Ele quer saber o que impossibilita esses convênios de fecharem acordo se a maioria já se credenciou. Galatti pretende conseguir intermediar as negociações entre os convênios e a AML. A Promotoria não pode entrar no mérito do valor. Cada profissional vai cobrar o que acha que merece. O que podemos fazer é analisar se o valor cobrado corresponde ao serviço prestado, adiantou.
Os usuários dos convênios em conflito com a AML podem fazer atendimentos médicos de rotina pagando os valores da LPM 96, até o dia 1º de agosto. Depois disso, os médicos do Departamento de Convênios só atenderão esses pacientes em consultas de cobrança particulare . Hoje a AML deve discutir se mantém ou prorroga esse prazo. Os médicos fornecem o recibo e os usuários tentam ressarcimento junto aos convênios. Os atendimentos de urgência e emergência, segundo a AML, são feitos normalmente. O promotor orienta os usuários de convênios que se sentirem prejudicados a acionar o plano de saúde.


