Médicos criam em Londrina núcleo de estudos da dor
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quarta-feira, 19 de junho de 2002
Ana Setti e Erika Zanon<BR>Reportagem Local 
Londrina formalizou ontem à tarde o criação de um núcleo de divulgação, estudo e assistência relacionados à dor, que será formado por médicos, profissionais da saúde e pelos membros da associação de pacientes (também formada ontem à tarde). A idéia faz parte da Caravana Aliviador, nome dado a um grupo de profissionais da área da saúde que chegou ontem na cidade e realizou uma palestra na Associação Médica de Londrina.
O grupo é liderado pelo médico João Augusto Figueiró, que pretende percorrer, ao longo deste ano, 50 grandes cidades brasileiras, com o mesmo objetivo de desmistificar os problemas de dor nos pacientes. A caravana quer mostrar que existe informação disponível sobre todos os problemas e paralelamente mostrar que toda dor tem tratamento, explicou o assessor de imprensa do grupo, Antônio Mafra. Londrina é a décima cidade visitada pelo grupo.
A caravana, por onde passa, faz palestras e explica que a maioria dos médicos não sabem lidar com a dor. Às vezes um paciente tem problemas psicológicos e não simplesmente físicos. Então não adianta apenas dar remédios, é preciso toda uma análise da dor que o paciente está sentindo, exemplifica Mafra.
De acordo com estudos nacionais e internacionais, a ocorrência de dor é a principal razão pela qual 75 a 80% das pessoas, em todo o mundo, procuram os serviços de saúde. No Brasil, estima-se que entre 30 a 40% da população sofra de algum tipo de dor crônica, geradora de problemas sociais, como o absenteísmo, licenças médicas, aposentadorias por doença, além de baixa produtividade no trabalho. Em Londrina, conforme revela um estudo realizado pelas escolas de enfermagem da USP (São Paulo) e da UEL (Londrina), 28,7% das crianças, 61,3% dos adultos e 51,4% dos idosos padecem de algum tipo de dor, sendo essa, inclusive, a principal causa do absenteísmo escolar na cidade.
Como conta o médico Figueiró, clínico-geral, com especialização em psicoterapia, a idéia de fazer um trabalho tão abrangente em relação ao problema da dor nasceu no Hospital das Clínicas, em São Paulo, com a formação de um grupo interno de estudos sobre o assunto. A partir daí, com a decisão de que era importante fazer algo de prático para propiciar uma assistência correta ao paciente com dor, surgiu o programa Avaliador, endossado pela Associação Médica Brasileira, e que logo instituiu uma ONG (Organização Não Governamental), para implementar as ações definidas pelo programa, como a iniciativa da Caravana, por exemplo.
O grupo, como informa Figueiró, já conseguiu pelo menos um grande resultado prático. Em portaria divulgada no dia 3 de janeiro deste ano, o Ministério da Saúde instituiu, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o Programa Nacional de Assistência à Dor e Cuidados Paliativos, que prevê, entre outras ações efetivas, estimular a organização regional de serviços de saúde e de equipes multidisciplinares para assistência a pacientes com dor.


