Rio de Janeiro - Dar mais atenção às queixas do paciente para desbanalizar o atendimento em casos de dengue - essa foi a principal cobrança feita pelos médicos que participaram do Simpósio Nacional sobre Dengue, no Rio de Janeiro, no último sábado, aos seus próprios colegas.
Para os profissionais muitas mortes poderiam, e podem, ser evitadas se a doença não fosse considerada ''benigna'' pelos médicos e até mesmo pela população. ''Quem já teve dengue sabe que não é benigna, basta ver os sintomas que a pessoa tem, e a doença pode levar à morte'', alertou o professor de Infectologia da Universidade Federal do Ceará, Ivo Castelo Branco. ''Como a maioria não morre da doença, o médico desvaloriza'', ressaltou.
Um exemplo citado por Kléber Luz, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, ilustra bem o que os médicos chamaram de ''banalização'' no atendimento a dengue. ''Mesmo com toda dificuldade do sistema de saúde, se um paciente chegar no pronto-socorro com um tiro ou facada no peito não vão mandar ele para casa, ele vai ser examinado, vai ser operado, vão suturar a bala. Já se um paciente chega com dengue, doença 'light', o médico não valoriza o exame clínico'', disse.
Castelo Branco e Luz defendem exames minuciosos no paciente em casos de dengue -hemograma, plaqueta, sorologia e o exame clínico em busca de sinais de febre hemorrágica. Segundo Castelo Branco, as manifestações hemorrágicas da dengue são pouco visíveis e merecem exames atentos. Ele explicou que o paciente com dengue hemorrágica só vai sangrar no final do quadro, quando o médico ''já perdeu a briga''.
''O nome dengue hemorrágico é um nome errado, não é um nome que reflete a doença. O médico tem que estar alerta a pacientes que tem dor abdominal depois que a febre cede, lá pelo 3º ou 4º dia, tontura quando se levanta, ou mulheres que menstruam fora de época, esses são pacientes graves'', disse Luz.
Na edição de amanhã, o assunto da série de reportagens sobre o Simpósio Nacional de Dengue será o exemplo de São José do Rio Preto (SP), que está conseguindo vencer a ''briga'' contra o mosquito. A repórter viajou ao Rio de Janeiro a convite da Aventis Pharma.

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