Médicos abrem guerra contra planos de saúde
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terça-feira, 04 de outubro de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A Associação Médica de Londrina (AML) engrossou o tom das críticas aos planos de saúde. De acordo com o presidente da entidade, Aparecido José Andrade, o médico hoje trabalha pressionado: por um lado, pelo direito que o paciente tem de ser bem atendido; por outro, pelos planos que estariam ''escravizando'' os profissionais. ''Os médicos hoje estão entre a cruz e a espada'', completou o consultor jurídico da AML, Bruno Pedalino. Os convênios e planos, segundo o advogado, ''formam verdadeiros cartéis para neutralizar o poder de negociação dos médicos''.
Pedalino criticou, principalmente, a forma de atuação dos planos. Segundo ele, para neutralizar a negociação com os médicos as empresas se associam em torno de um intermediário para acertar individualmente. Continuou dizendo que, para diminuir custos, os médicos vinculados aos convênios e planos de saúde estariam sendo forçados a não pedirem exames que poderiam ajudar na confirmação ou não de diagnósticos e estariam com dificuldade de acesso a muitos avanços atuais da medicina. Andrade confirmou essa dificuldade: ''para o médico isso é muito ruim porque atrapalha o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento''. Para o representante dos médicos, essa situação é fruto da inexistência de normas que regulem a atuação dos planos.
Conforme ambos, os médicos estariam ainda trabalhando com uma tabela defasada, que ficou 10 anos sem reajuste (a última correção ocorreu em 2004). Isso já teria reflexos não apenas no bolso dos profissionais mas também em sua capacitação continuada. ''Muitos profissionais hoje não têm dinheiro para se atualizarem. As maiores e verdadeiras vítimas hoje em dia são os médicos, porque na cadeia da saúde são os que menos rentabilidade têm'', apontou Pedalino.
O presidente da AML reclamou que, mesmo com a revisão da tabela, alguns planos pagam apenas R$ 18,00 por consulta. E para completar, ''o médico paga 50% de imposto de tudo que recebe''. ''Hoje, a preocupação maior do médico é sarar o paciente e não necessariamente relacionar-se bem com ele, porque a estrutura não permite isso. Ele está tendo que se defender do Estado, dos planos, dos pacientes e daqueles que têm interesse em ganhar dinheiro com essas dificuldades'', comentou Pedalino.
A AML também criticou a forma de aplicação no Paraná da tabela de Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos, que prevê a uniformização dos preços pagos aos médicos em todo o país, construída pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) e Associação Médica Brasileira. No Estado, foram incluídos deflatores de menos 20% (para consultas) e menos 30% (para procedimentos) e isso, segundo Andrade, faz com que em algumas situações os valores pagos fiquem abaixo dos que vigoram atualmente. ''Queremos que os valores sejam os mínimos praticados hoje. Se comprometessem a pagar isso, aceitaríamos qualquer convênio'', concluiu o médico.


