A dificuldade em credenciar o serviço de litotripsia extracorpórea por ondas de choque junto ao Sistema Único de Saúde (SUS) está deixando inquieto o médico nefrologista Marcos Gevert, proprietário do Hospital do Rim do Vale do Ivaí, em Ivaiporã (110 km ao sul de Apucarana). Com o pedido protocolado em 17 de julho de 98, até hoje não obteve uma resposta positiva da Secretaria de Estado da Saúde, responsável pelo credenciamento. De acordo com Gevert, este seria o primeiro equipamento a ser credenciado no Estado para atendimento público.
Considerado de última geração para o tratamento de cálculos renais, o equipamento elimina as ‘‘pedras’’ nos rins através de ondas de choque, sem cirurgia. A máquina é a única do Vale do Ivaí e está atendendo somente a particulares e previdência privada.
Segundo o médico Marcos Gevert, foram cumpridas todas as exigências determinadas pela secretaria de Saúde para que pudesse ser credenciado. ‘‘Eu investi na compra do aparelho e acho um absurdo ficar com ele parado somente para atender a particulares. Pelo SUS eu tenho condições de dar uma utilidade maior para a máquina e, ao mesmo tempo, ter o retorno do meu investimento’’, comentou. A máquina, de acordo com o médico, custou cerca de R$ 250 mil e atualmente trata dois pacientes por dia.
O que deixa o médico mais irritado é que a cada exigência cumprida, surgem novas imposições da Secretaria de Saúde. Ele garante ter pago para que funcionários da Saúde fossem até o Estado de São Paulo estudar em uma clínica, para que pudessem avaliar o desempenho de seu hospital.
Marcos Gevert garante que um tratamento tradicional para retirada de cálculos renais pelo SUS não sai por menos de R$ 454,20, incluindo honorários médicos, anestesia, internação, fora os medicamentos e o tempo de recuperação do paciente que pode levar de 30 a 90 dias. ‘‘Com a litotripsia, a retirada de cálculos custa em torno de R$ 344,00, sem o trauma da cirurgia. E o melhor é que o paciente pode desempenhar suas funções no dia seguinte ao tratamento’’, ressaltou.
Entre as justificativas da secretaria para o não-credenciamento, segundo Gevert, está a falta de dinheiro para este tipo de tratamento. ‘‘Recentemente noticiaram que o governo vai queimar três toneladas de medicamentos com data de validade vencida, num total de R$ 240 mil, e dizem que não têm dinheiro. Este dinheiro que está sendo queimado daria para fazer 697 tratamentos no meu aparelho’’, desabafou.
Na justificativa mais recente, a secretaria alegou a falta de licença sanitária. Ele garante que a responsável pela Vigilância Sanitária do município fez a vistoria, seguindo o questionário emitido pela Saúde, mas foi considerado insuficiente. ‘‘Quero somente que o governo seja objetivo na resposta. Que diga sim ou não, parando de me enrolar’’.
O secretário de Estado da Saúde, Armando Raggio, não foi encontrado em Curitiba. Segundo a assessoria de imprensa, ele estaria acompanhando o problema da cólera no Litoral. No entanto, a assessoria explicou que o não-credenciamento se deve à falta de uma licença sanitária expedida pela Secretaria Estadual de Saúde, e não pelo município.
O motivo, segundo os assessores de Raggio, é que o serviço de litotripsia é considerado de alta complexidade e há várias exigências do Ministério da Saúde, entre eles que o laudo da Vigilância Sanitária seja emitido pelo Estado. A orientação da secretaria é que o médico Marcos Gevert protocole o pedido de vistoria em Curitiba e complete o processo, que está parado somente por esta exigência.

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