Médico questiona índice de contaminação por chumbo
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quarta-feira, 28 de março de 2001
Emerson Cervi De Curitiba 
Três pessoas ouvidas ontem pela Comissão Permanente de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa questionaram as denúncias de contaminação generalizada da população de Adrianópolis (130 km ao norte de Curitiba) por chumbo. O empresário Mário Tagushi (dono dos resíduos), José Carlos Leprevost (atual proprietário das instalações da Plumbum) e o médico aposentado Osmam Bracik (que trabalhou por 20 anos na metalúrgica) rebatem as acusações alegando que são mínimas as chances de contaminação.
O chumbo está no solo de toda a região, o problema maior lá é a desnutrição e a pobreza da população, afirmou o médico Bracik. Ele diz que os operários da empresa, que funcionou até 1996, não apresentavam índices alarmantes de contaminação. Ele garante que entre 1954 e 1974, quando trabalhou na empresa, os índices de abortos naturais na região eram normais. O atraso no crescimento e outros problemas de saúde seriam causados principalmente pela subnutrição.
Naquela época, quando constatávamos problemas no sangue das pessoas, elas eram afastadas do trabalho nas minas, tratadas até obterem resultados negativos e só depois voltavam, conta. Nas duas décadas em que trabalhou na Plumbum, Barcik fez 340 mil consultas e mais de mil partos. Eu era o único médico em um raio de 100 quilômetros, contou.
O empresário Mario Tagushi, que comprou cerca de 30 toneladas de resíduos da mineração e siderurgia de chumbo, também afirmou que não conhece riscos de contaminação por chumbo. Tagushi vendia o material para indústrias de cimento e de baterias em todo o País. Estou tentando revender todo aquele material, mas antes do prazo de um ano não será possível tirar os resíduos devido ao grande volume.
José Carlos Leprevost conta que comprou a empresa com o objetivo de tentar reativar a metalurgia. Mas com a desvalorização do real os parceiros estrangeiros desistiram do negócio e resolvi criar um parque temático na região, conta. A onda de alarmismo criada por autoridades do município sobre o chumbo foi irresponsável porque está prejudicando os empresários da cidade que não conseguem mais vender leite nem banana produzida ali, reclamou.
O presidente da comissão, deputado Neivo Beraldin (PPB), convocou nova reunião para a próxima terça-feira para ouvir depoimentos de outros médicos. Além de Bracik, serão convidados o médico João Baffa, que também trabalhou em Adrianópolis, e um representante do Conselho de Medicina do Paraná.


