Médico que matou cão paga indenização a donos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de dezembro de 1997
Vânia Moreira Umuarama 
A família do especialista em marketing de confecções Renê Paulo Tranquilini, 48 anos, de Cianorte (80 km a leste de Umuarama), comprou e distribuiu 120 cestas básicas com os R$ 3 mil que recebeu a título de indenização pela morte de Tobi, um cachorrinho vira-lata. A indenização foi paga pelo médico nefrologista Antônio Verenhitach, acusado de ter matado o cachorro com dois tiros no dia 25 de outubro. Verenhitach e Tranquilini fizeram um acordo que encerrou o processo na Justiça.
Não quisemos ficar com esse dinheiro sujo e ajudar pessoas pobres foi a forma que encontramos de compensar o que aconteceu, disse ontem a mulher de Renê, Marlene Tranquilini. No final de semana, os Tranquilini distribuíram 95 cestas com arroz, feijão, macarrão e outros alimentos para famílias pobres. Outras 25 cestas foram doadas ao Lar dos Velhinhos.
O casal e as duas filhas, de 14 e 15 anos, eram muito apegados ao cachorro que estava há sete anos com a família, moradora na avenida Mato Grosso. O cachorro foi morto num sábado, por volta das 10h30, no quintal da casa. O médico teria invadido o quintal e disparado dois tiros de revólver no cachorro. Na delegacia e no fórum, Antônio Verenhitach negou que tivesse matado o cachorro, mas acabou concordando em pagar a indenização.
O técnico em eletrônica Evandro Gaioto estava trabalhando em frente à casa dos Tranquilini e viu o médico sacar um revólver, entrar no jardim e dar dois tiros no cachorro. Renê, a mulher e as filhas estavam em casa e pensaram que alguém tivesse jogado bombinhas no quintal e assustado o cachorro, até o encontrarem caído e sujo de sangue. Tranquilini conta que saiu correndo atrás do médico na rua, mas recuou quando ele se virou com a arma na mão.
Ninguém sabe por que o nefrologista matou o cachorro. Ele nunca havia reclamado de estar sendo incomodado pelo Tobi e nem era nosso vizinho, disse Marlene. Verenhitach mora a três quadras de distância da casa dos Tranquilini.
A Folha tentou contato com o médico, mas ele não foi encontrado em três endereços.


