Maringá - O médico Décio Basso, condenado a nove anos pelo sequestro da filha de um outro médico de Maringá, está ‘‘clinicando’’ na cadeia da 9ª Subdivisão Policial (SDP) de Maringá. Desde que foi preso, em fevereiro do ano passado, Basso ocupa uma cela especial da 9ª SDP. Técnicos da Vigilância Sanitária visitam hoje a cadeia para apurar denúncia feita por uma funcionária de posto de saúde, que teria recebido um encaminhamento para exames clínicos escrito a mão, com letra que pode ser do médico Décio Basso. O pedido não tem assinatura e foi dirigido para uma paciente que procurou o Posto de Saúde da Zona Sul em busca dos exames.
Uma fonte da Folha, que trabalha na 9ª SDP, garantiu que de fato Basso presta atendimento médico aos presos e estaria inclusive recebendo funcionários da subdivisão.
O chefe da Vigilância Sanitária, Gilberto Pucca, disse que o caso não é de responsabilidade do órgão, mas que iria visitar hoje a 9ª SDP para verificar a denúncia. ‘‘A partir daí vamos acionar o Conselho Regional de Medicina (CRM)’’, afirmou Pucca. A Vigilância Sanitária pretende, porém, verificar as condições de atendimento feito pelo médico.
Segundo o delegado-adjunto da 9ª SDP, Nilson Rodrigues da Silva, o atendimento feito por Basso aos presos é autorizado pela delegacia. Desde o ano passado, a subdivisão está sem médico por causa de uma determinação da Secretaria Municipal de Saúde.
O delegado disse que Basso atende principalmente os casos de emergência. ‘‘Como médico, ele (Basso) consegue avaliar se o preso precisa ser ou não removido para um hospital’’, afirmou o delegado. ‘‘O atendimento dele acaba sempre ajudando na cadeia’’, completou Silva. O delegado-adjunto disse, no entanto, que desconhece o fato de que funcionários da delegacia recorrem ao médico. ‘‘Da minha parte não houve nenhum tipo de autorização para isso’’, afirmou Silva.
O conselheiro do Conselho Regional de Medicina no Paraná, Gerson Martins, disse ontem que o processo administrativo envolvendo o médico Décio Basso ainda não foi concluído. ‘‘Este médico está devidamente registrado e pode exercer a profissão’’, afirmou Martins. Segundo ele, é necessário verificar as condições de trabalho porque o médico precisa de local adequado para ouvir o paciente e guardar prontuários, entre outros requisitos.
No início de fevereiro do ano passado, Basso foi preso em flagrante acusado pelo sequestro da estudante Marta Berssani Chammas, 17 anos, filha do médico pediatra Kemel Jorge Chammas, presidente do CRM de Maringá. Basso foi condenado a nove anos, mas entrou com recurso contra a sentença judicial e por isso permanece preso na 9ª SDP. Só depois do trânsito final da sentença, o médico será transferido para uma penitenciária.

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