Médico pede a cassação de Bonilha
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de março de 1999
Osmani Costa 
Um novo pedido de processo de cassação contra vereador surgiu ontem na Câmara de Londrina. O médico Antônio da Costa Funfas Neto deu entrada, junto à Mesa Diretiva, a um requerimento para que seja aberta em plenário a denúncia que pode levar à cassação do vereador Orlando Proença Bonilha (PDT) por falta de decoro parlamentar.
O médico embasa o requerimento no chamado caso Comurb, que apurou a denúncia da contratação irregular de 212 funcionários pela Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), no ano passado. Naquele episódio - que ainda está sendo investigado através de processo pela 10ª Vara Cível -, o vereador Bonilha foi acusado de ter recebido, de maneira indevida, vários cheques de pagamentos salariais de funcionários que haviam sido indicados por ele para contratação na Comurb.
Nada tenho de pessoal contra qualquer pessoa envolvida no chamado escândalo da Comurb, tão somente defendo a integridade e dignidade de Londrina. E sugiro que todo vereador comprovadamente envolvido em escândalos seja, de forma exemplar, punido com a cassação do mandato, afirma o médico no requerimento.
O presidente da Câmara, Renato Araújo (PPB), encaminhou o documento para análise do procurador jurídico da Casa, Antonio Carlos Vianna. Nosso parecer, do ponto de vista da legalidade do requerimento, estará pronto até a sessão da próxima terça-feira. Daí, é o plenário que decide, de forma política, se a denúncia contra o vereador Bonilha deve ou não prosseguir, comenta Vianna.
Caso o plenário aprove o encaminhamento da denúncia - são necessários 11 votos dos 20 vereadores (Bonilha não pode votar) -, será instalada uma Comissão Processante, com três membros, para apresentar o relatório final, indicando o arquivamento ou cassação do vereador acusado, em 90 dias.
No ano passado, a Câmara instituiu uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar o envolvimento de cinco vereadores com o caso Comurb: Carlos Kita (PTB), Célio Guergoleto (PMDB), Jorge Scaff, Jaci Aguiar e Orlando Bonilha (os três do PDT). O plenário decidiu pelo arquivamento do relatório da CEI, que sugeriu aguardar os resultados das investigações e a decisão da Justiça. A ação, que tramita na 10ª Vara Cível, faz acusação contra 52 pessoas envolvidas. Ela está em fase de instrução e a sentença só deve sair no ano que vem.
Estou espantado com esta denúncia. Acho muito estranho que ela ocorra justamente agora, quando a Câmara está analisando o processo de cassação contra o Jaci Aguiar. Acredito que seja uma tentativa de desviar a atenção do caso do Jaci, reage Orlando Bonilha. Segundo ele, deve haver relação entre os dois casos. É muita coincidência esta denúncia agora. Este médico, que tentou ser vereador duas vezes e não conseguiu, deve ter ligação com o Jaci Aguiar.. Eu já fui julgado pela CEI e absolvido; não posso ser julgado duas vezes por uma mesma acusação.
Aguiar nega que tenha qualquer ligação com o médico Antônio Funfas Neto. Nunca estive com este senhor; nunca o vi pessoalmente. Esta acusação do Bonilha é completamente sem fundamento. Não quero nem respondê-la. Ele está precisando ser internado, comenta com ironia Aguiar, em relação ao seu colega de partido.


