Médico opera obesos reduzindo intestino
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2003
Denise Angelo<br>Equipe da Folha 
Curitiba O médico José Lazarotto de Melo e Souza realiza hoje a 530 cirurgia para reduzir a obesidade, utilizando uma técnica desenvolvida por ele mesmo. Ao contrário das cirurgias gastroplásticas, que diminuem o tamanho do estômago e podem levar o paciente a ter deficiências vitamínicas, a técnica desenvolvida por Souza reduz a área do intestino responsável pela absorção do bolo alimentar. Com menor absorção, o organismo deixa de acumular gordura e a pessoa emagrece.
O médico explica que durante a cirurgia ele mede a centimetragem quadrada do intestino delgado e calcula qual o tamanho ideal conforme o tipo de vida de cada paciente. De posse dessa informação, o médico cria uma válvula no intestino que controla a quantidade de bolo alimentar que vai entrar na área que faz absorção. O custo da cirurgia varia conforme o peso de cada paciente.
Hoje, o 530 paciente de Souza passará pelo procedimento. Douglas Ney Furtado tem 38 anos e pesa 256 quilos. Por causa do excesso de peso, há dois anos foi obrigado a deixar o trabalho. ''A obesidade transforma a vida da gente numa cela. Só que a condenação, em vez de vir da Justiça, vem da sociedade'', define Furtado.
Ele conta que no início do ano passado procurou um médico para fazer a cirurgia de redução de estômago, mas ouviu do profissional que teria que emagrecer pelo menos 40 quilos para poder se submeter ao procedimento. Isso porque a obesidade o deixou hipertenso, o que torna muito arriscada a aplicação de uma anestesia geral.
Na técnica desenvolvida pelo médico curitibano, o procedimento é possível porque é utilizada anestesia peridural contínua juntamente com a raqui-anestesia. Ou seja, durante as mais de quatro horas de duração da cirurgia, o anestesista permanece ao lado do paciente, renovando o anestésico, conforme explica o especialista Paulo Sydney Campos Amaro. O paciente fica consciente durante todo o procedimento.
O médico explica ainda que o emagrecimento acontece porque o nível de saciedade da pessoa é atingido com menos comida. O apetite diminiu cerca de 90% depois da cirurgia e com o passar do tempo se estabiliza entre 20% e 60% do apetite anterior.
Pelos cálculos do médico, o paciente que será operado hoje deve emagrecer de 60 a 70 quilos nos próximos quatro meses. ''Ele (o médico) está devolvendo a minha vida'', disse Furtado.


