Médico londrinense integra equipe do ''olho biônico''
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segunda-feira, 20 de maio de 2002
Oswaldo Militão Reportagem Local 
Um oftalmologista londrinense integra a equipe dos professores Eugene de Juan e Mark Humayun, da Universidade de Southern, Califórnia (EUA), que desenvolveu o chamado olho biônico, uma prótese eletrônica que substitui uma parte da visão que não funciona e que já está sendo testada em pessoas. É o oftalmologista Gildo Fujii, que está em Londrina, aproveitando a sua participação no Congresso da Sociedade Brasileira de Retina e Vitreo, que acontecerá em São Paulo, a partir de quinta-feira.
Gildo Fujii é formado em medicina pela Universidade Estadual de Londrina e, na equipe médica americana é o responsável pela técnica cirúrgica do implante. O primeiro teste com o ôlho biônico foi num cachorro. Através de eletrodos colocados no cérebro, puderam observar que o cão estava tendo percepção luminosa. Isso foi fundamental para que o FDA (órgão que regulamenta qualquer produto médico nos Estados Unidos) aprovase os primeiros implantes.
Fujii explica que o olho biônico é uma mistura de vários componentes eletrônicos. A imagem é captada por uma microcâmera externa posicionada numa armação de óculos e essa imagem é então transmitida até um processador que é implantado embaixo da pele e atrás da orelha. A imagem é transformada em sinais elétricos no processador e através de um cabo que vai dele até o olho, tudo subcutâneo, que estimulam diretamente a retina, através de uma placa de eletrodos.
Ele diz que a cirurgia é recomendada a pessoas com denegeração retiniana, tipo retinose pigmentar e denegeração macular relacionada à idade. A primeira é uma degeneração que causa a perda progressiva da visão periférica e visão noturna. Até que acaba perdendo a visão por completo. A segunda é a maior causa de cegueira não curável que promove a perda completa da visão central.
O médico Gildo Fujii conta que o FDA aprovou três implantes para o ano. Um já foi feito, com resultado considerado espetacular. Foi num americano de 75 anos e que estava totalmente cego. Com a prótese, ele está voltando a enxergar formas e algumas letras. Os próximos dois já estão selecionados. São uma mulher, de 56 anos e um homem de 70 anos. Ambos da Califórnia, onde há cerca de 200 cadastrados.
O aparelho custa cerca de 30 mil dólares e não inclui custos com cirurgia e internação.


