O delegado de Porecatu (85 km ao norte de Londrina), Fátimo Siqueira, deve pedir informações à Secretaria de Saúde de Londrina, ao Conselho Regional de Medicina (CRM) e à Delegacia da Mulher, sobre os antecedentes do clínico-geral Homero Dutra Moreira, 35 anos. O médico foi acusado de abuso sexual pela dona de casa Aparecida Isabel Silva Ferreira, 32 anos, de Florestópolis, e chegou a ser preso e liberado, depois de pagar fiança, na tarde de sexta-feira.
O delegado disse que recebeu informações que o médico teria sido exonerado do serviço público londrinense, no ano passado, por denúncias semelhantes. O CRM também estaria apurando o caso. ‘‘Se as informações forem comprovadas, é indício de prova, o que vai ajudar muito no inquérito já que estes casos ocorrem, geralmente, entre quatro paredes e entre duas pessoas. Fica sempre a palavra de um contra a do outro’’, explicou.
Siqueira pretende agilizar o pedido de informações e, se for necessário, vai solicitar medida judicial para que o CRM responda se há ou não processo contra Moreira. ‘‘No dia já havíamos solicitado informações no órgão, mas disseram que só o fariam sob ordem judicial. Com estas novas evidências, vamos pedir ao juiz que, com certeza, vai conceder ordem judicial’’, afirmou.
De acordo com o delegado, o clínico não mencionou em seu depoimento processos anteriores por assédio sexual e nem citou que havia trabalhado na rede pública de saúde, em Londrina. ‘‘Ele apenas nos informou que trabalhou na Santa Casa, no Hospital Evangélico e no Hospital de Arapongas. Fomos atrás e nada havia contra ele nestes locais’’, contou. De acordo com Fátimo Siqueira, a pena por atentado ao pudor mediante fraude, como está enquadrado o caso, é de um a dois anos de reclusão.
O próprio advogado do médico, Sidinei Almeida, se disse surpreso ao saber dos antecedentes. Para o advogado, cabe ao delegado investigar e utilizar os meios necessários para alcançar a verdade. ‘‘Tenho certeza que meu cliente vai tentar provar sua inocência’’, afirmou.
Em agosto do ano passado, Homero Dutra Moreira, foi exonerado pelo secretário municipal de Saúde de Londrina, Agajan Der Bedrossian, depois de sindicância interna e processo administrativo que comprovaram conduta irregular. No dia 26 de novembro de 99, a Folha publicou reportagem especial sobre assédio sexual, na qual foram entrevistadas duas mulheres que teriam sido assediadas pelo médico, a auxiliar de odontologia M.A.B., 31 anos, e a bóia-fria, E.M.L., 36 anos.

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