Médico faz campanha contra dieta alimentar
Luka Morais
De Londrina
Uma boa notícia para quem quer emagrecer e não consegue seguir a cruel recomendação de fechar a boca. É possível perder peso e garantir a saúde realizando pelo menos quatro refeições diárias. E o que é melhor: incluindo em todas elas carboidratos como pão, arroz, macarrão e batata. A nova receita de emagrecimento, denominada de plano de alimentação ideal, vem sendo divulgada pelo presidente da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade (Abeso), Walmir Coutinho.
Endocrinologista e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro (RJ), Coutinho vem divulgando a campanha Dietas Não. Através de palestras, ele transmite aos profissionais da saúde novos conceitos no tratamento da obesidade. No último sábado, o médico participou do 2º Simpósio Londrinense de Obesidade, promovido pelo Departamento de Clínica Médica da Associação Médica de Londrina (AML).
Coutinho afirma que os médicos precisam abolir a palavra dieta do seu vocabulário. Com base em pesquisas feitas na Alemanha, ele é categórico: Regime que restringe a alimentação não funciona. A pessoa pode até conseguir um bom resultado mas por pouco tempo. Depois vem o fracasso.
Como as pessoas não podem passar a vida toda de dieta, observa o médico, o único remédio para garantir a manutenção do peso e da saúde é a reeducação alimentar. As pessoas precisam saber que é possível emagrecer comendo várias vezes por dia. Mas têm que aprender o que comer.
O endocrinologista cita dados de um congresso realizado em Milão, Itália, no qual foram apresentados estudos demonstrando que apenas a redução de gordura na alimentação é suficiente para se alcançar resultados significativos. O problema, observa o médico, é que cada vez mais o brasileiro vem ingerindo gorduras, comendo carnes vermelhas e muita fritura. Um terço da população brasileira faz parte do grupo de obesos e precisa reeducar sua alimentação, destaca Coutinho.
A mudança nas metas a serem alcançadas, diz ele, também é fator importante no combate à obesidade. O médico condena as tabelas que determinam o peso ideal com base no peso e altura do paciente, os kits de produtos que prometem resultados milagrosos em pouco tempo e os processos rápidos de perda de peso.
Na maior parte dos casos, depois de fazer um regime de emagrecimento, as pessoas voltam a engordar. Nesses casos, ficam ainda mais vulneráveis à obesidade do que antes do tratamento, afirma. Além disso, o processo de emagrecimento e engorda, alerta o profissional, provoca uma série de alterações prejudiciais à saúde, principalmente para o coração.
Na opinião do médico, o ideal é a perda de peso de forma lenta (uma média de dois a quatro quilos por mês) e a consciência dos benefícios que se alcança gradualmente. Uma pessoa com 100 quilos que consegue chegar aos 90 quilos já tem um enorme benefício. Reduz risco de derrames, diabetes e infarto.
Ainda que, esteticamente, o resultado possa não ser tão satisfatório, o médico insiste na perda de peso escalonada. Num processo gradativo, explica, o organismo tem a oportunidade de se adaptar ao emagrecimento, que é interpretado pelo corpo como uma ameaça às suas reservas de energia. Além disso, ele observa, existe uma enzima responsável pelo armazenamento de gordura , que fica superativada no processo brusco de perda de peso. Desse modo, qualquer excesso que a pessoa coma vai ser rapidamente sintetizado e guardado na forma de gordura, diz o médico.Os regimes rígidos de emagrecimento são combatidos pela Associação Brasileira para Estudo da Obesidade
César AugustoREEDUCAÇÃO ALIMENTARO endocrinologista Walmir Coutinho, presidente da Abeso, esteve em Londrina para falar sobre a nova receita de emagrecimento: perda de peso lento afasta risco do efeito sanfona





