Cláudia Barberato
De Londrina
O Brasil tem 3 milhões de crianças obesas que, se não forem tratadas, serão adolescentes e adultos obesos, expostos cada vez mais cedo a problemas cardiovasculares, com alterações de colesterol e triglicerides no sangue. A informação é do pediatra Mauro Fisberg, autor do livro ‘‘Obesidade Infantil e Adolescente’’. Fisberg é chefe do Centro de Adolescentes da Universidade Federal de São Paulo e diretor do Centro de Nutrição da Universidade de São Marcos, também de São Paulo. Ele esteve em Londrina para um curso de especialização em Nutrição Clínica, na Unopar.
O País não tem dados oficiais e atualizados sobre a obesidade infantil. Os números indicados por Fisberg são de um levantamento do Ministério da Saúde de 1989. Em Londrina, de acordo com a professora do curso de Nutrição da Unopar, Cristina Tomasetti, um levantamento nas escolas públicas indicou que 15% das crianças têm excesso de peso.
Há alguns anos, segundo o pediatra, achava-se que o risco da obesidade infantil era apenas de alterações emocionais ou ortopédicas. Hoje sabe-se que os riscos são bem maiores. Já se verifica aumento de casos de hipertensão e diabetes do tipo 2 (que é a diabete da terceira idade), em pessoas de 20 a 30 anos.
Uma criança é considerada obesa quando apresenta 20% de peso acima do esperado para sua altura. ‘‘É importante fazer o diagnóstico precoce,’’ afirma Fisberg. O tratamento começa no início da fase escolar, a partir dos 7 anos; mas é preciso tratar toda a família. Normalmente criança obesa vem de uma família onde as pessoas têm excesso de peso. ‘‘Quando entra na escola é que ela se dá conta de que é diferente das outras crianças,’’ avisa o pediatra.
Segundo Fisberg, tratar a obesidade é complicado em qualquer faixa etária. No caso das crianças, não se pode usar medicamentos. O tratamento pede a reeducação alimentar e a prática de atividades físicas.
A modificação dos hábitos alimentares e de comportamento é um desafio de toda a família. ‘‘O tratamento é para o resto da vida,’’ avisa Firesberg. De acordo com Fisberg apenas 40% das pessoas que iniciam o tratamento conseguem obter sucesso.

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