Médico fala da arte de envelhecer bem
Especialista cita hábitos que podem garantir uma vida longa e de qualidade. E alerta: ‘Velhice não é doença; depressão, sim’
Áureo Nogueira
‘‘É possível envelhecer de forma saudável. Mas para isso é necessário assumir o compromisso de viver bem e perguntar, diariamente, o que é possível fazer para melhorar a qualidade de vida em todas as faixas etárias.’’
A receita é do presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Renato Maia Guimarães (foto), que nesta semana fez palestra sobre ‘‘Depressão do Idoso’’, na abertura da 1ª Jornada Norte-Paranaense da Saúde do Idoso, realizada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Associação Médica de Londrina (AML).
O especialista explica que dos 25 aos 30 anos as pessoas começam a envelhecer, ou seja, perder cerca de 1% ao ano da sua capacidade de desempenho. Mas, apesar de inexorável, o envelhecimento pode ser acompanhado de qualidade de vida. ‘‘A fórmula é desenvolver atividades compatíveis com uma vida saudável’’, aponta Renato Guimarães, prescrevendo atividades físicas permanentes, dieta alimentar à base de cereais, verduras, legumes e principalmente frutas. E é claro: evitar fumo, drogas e álcool.
Além dessas atitudes básicas, o médico recomenda esforço para uma vida em harmonia, na família, nas atividades sociais, no trabalho. ‘‘Pessoas irritadas, nervosas e estressadas vivem menos.’’ O presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia destaca, ainda, a necessidade de prevenir doenças como diabetes, pressão alta, osteoporose, câncer e transtornos nervosos, sobretudo a depressão.
‘‘O próximo século será o século dos idosos no Brasil. Precisamos refletir e transformar o sentimento de medo, descrença, preconceito contra a velhice e incorporar a perspectiva de que é possível envelhecer bem’’, enfatiza Renato Guimarães, para explicar a necessidade de combater quadros depressivos. O especialista diz que normalmente há mudança das formas de depressão com o passar do tempo. Na juventude é comum o sentimento depressivo que provoca a hipótese do suicídio. Na velhice, esta depressão tende a diminuir, mas pode surgir outro tipo, que compromete a qualidade de vida e a saúde do idoso. ‘‘Pessoas deprimidas correm mais riscos de desenvolver doenças.’’
Outro fator que contribui para a perda da qualidade de vida no idoso é a comorbidade. ‘‘A comorbidade é provocada por outras doenças. As pessoas se comovem com a percepção de que sua saúde não é mais como na juventude, além de problemas familiares e dificuldades econômico-sociais’’, diz o médico. ‘‘Há também remédios que levam ao estado depressivo.’’
A saída para esse tipo de depressão, segundo o especialista, é a socialização. ‘‘As pessoas têm que manter um papel na sociedade. Muitos aposentados caem em depressão, até profundamente, porque se sentem inúteis.’’
Renato Guimarães observa: muitos sintomas - como tristeza, falta de interesse, insônia, perda do apetite, falta de memória - são provocados pela depressão e não pela velhice. ‘‘Velhice não é doença. Doença é a depressão’’, afirma.
Ele indica três formas de tratamento para a doença. A primeira pode ser através de medicamentos antidepressivos (não confundi-los com calmantes e tranquilizantes). A segunda é o apoio psicológico. E, por fim, atuação junto ao paciente e sua família. ‘‘Os familiares também podem dar grande contribuição para melhorar a qualidade de vida do idoso, com atitudes simples, como tomar sol, caminhar, passear.’’

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