Uma clínica em Curitiba, de propriedade do médico Fauzi Farah e de sua mulher, Nancy Farah, pode estar envolvida com o tráfico e comercialização de crianças para adoção. A denúncia foi feita esta semana pelo Ministério Público de Caçador, em Santa Catarina, com base nas investigações da Polícia Federal. De acordo com o inquérito encaminhado para a 2ª Vara Federal da cidade catarinense, doze pessoas estariam envolvidas no caso. Elas procuravam prostitutas e mulheres carentes que estivessem grávidas e ofereciam dinheiro e cuidados médicos em troca do filho.
Para apurar as informações da clínica médica de Curitiba, uma equipe de três profissionais da Polícia Federal de Florianópolis está na cidade desde a última quarta-feira. Segundo o delegado e porta-voz da Polícia Federal de Florianópolis, Ildo Rosa, as suspeitas contra o médico e a mulher são consistentes. ‘‘Pelo menos duas testemunhas confirmam que foram para Curitiba e que tiveram os cuidados médicos dele e da esposa’’, afirmou Rosa.
O delegado responsável pelo caso, Rogério Ortiz, que está em Curitiba para a realização de diligências, não quis atender os jornalistas. ‘‘No momento certo daremos todas as informações necessárias’’, disse a secretária dele. Segundo ela, as investigações em Curitiba exigem um trabalho minucioso e informações desencontradas poderiam atrapalhar a conclusão do inquérito. Ela não confirmou o possível envolvimento do médico e da mulher no tráfico de crianças de Caçador.
Médico nega - O clínico geral Fauzi Farah foi procurado ontem pela reportagem da Folha. Ele negou qualquer envolvimento na comercialização de bebês. ‘‘Isto tudo é mentira, nada há de verdade nesta história’’, afirmou. O médico não quis dar entrevista, disse que estava muito ocupado e prometeu atender a imprensa em outra oportunidade.
O promotor da 2ª Vara de Caçador, Ricardo Marcondes de Azevedo, confirmou a denúncia oferecida à Justiça pelo Ministério Público. De acordo com ele, duas testemunhas citam o nome do médico e da mulher e dizem que estiveram em Curitiba para serem acompanhadas durante o parto. ‘‘Num dos dois casos, ele mesmo teria vindo trazer a mãe, sem a criança, para Caçador’’, contou Azevedo. As mães disseram que ficaram, antes do parto, no apartamento do médico, no bairro Batel, em Curitiba.
Azevedo disse que não pode afirmar que Farah tenha realmente participado da quadrilha. ‘‘Estamos seguros da denúncia, mas o momento exige muita cautela’’, afirmou. O médico e a esposa estão sendo denunciados por formação de quadrilha, subtração de criança com a intenção de adoção irregular e recebimento de dinheiro pelo comércio ilegal de bebês.
Segundo o promotor de Caçador, Fauzi Farah já respondeu inquérito por adoção irregular em 1994. Ele teria favorecido a adoção ilegal de uma criança de Caçador por um casal de São Paulo. O inquérito foi arquivado por falta de provas.

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