O médico geriatra Décio Basso, 42 anos, foi preso em flagrante na madrugada de ontem, em Maringá, acusado de ser o mentor do sequestro da estudante Marta Berssani Chammas, 17 anos, filha do médico pediatra Kemel Jorge Chammas. O sequestro começou na noite de sexta-feira. Além de Basso, a polícia prendeu Levino Carlos Augusto, 41, apontado como responsável pelos contatos telefônicos com a família de Chammas, e Luiz Carlos de Jesus da Rocha Silva, 20, acusado de manter a estudante no cativeiro. As investigações foram conduzidas por equipes do Grupo Águia e do Cope.
A casa do médico pediatra foi invadida por dois homens por volta das 22h30 de sexta-feira. Eles amarraram, amordaçaram e aplicaram injeções de tranquilizantes na mulher e em dois filhos de Chammas que estavam na casa. O pediatra chegou na residência às 23 horas e foi rendido por um dos sequestradores. Os dois homens exigiam dólares, mas acabaram levando jóias e a filha mais nova de Chammas. A princípio, a família do pediatra e a Polícia Civil de Maringá acreditavam que se tratava de um assalto e que os homens teriam levado a adolescente apenas por segurança. Eles deixaram a residência em um carro do próprio médico.
O sequestro foi confirmado a partir das 2h40 de sábado, no primeiro contato telefônico que um dos sequestradores fez com a família, pedindo US$ 150 mil. A ligação foi feita de um telefone público de Tapejara (39 quilômetros a leste de Umuarama). O caso começou a ser desvendado por volta de uma hora da madrugada de ontem, quando a polícia prendeu Levino Carlos Augusto, 41, que minutos antes tinha feito o penúltimo contato com a família Chammas e negociado o novo valor do resgate para R$ 120 mil. Neste contato, Carlos Augusto havia se comprometido a ‘‘provar’’ que a estudante estava viva. O pai de Marta pediu para que o sequestrador perguntasse para a filha os nomes dos cachorros de estimação.
Para buscar a prova, o sequestrador se obrigou a sair de Cianorte, de onde fazia os contatos, para em Maringá perguntar pessoalmente os nomes dos cachorros para a estudante. Os sequestradores evitavam, entre eles, manter contatos telefônicos. Carlos Augusto acabou sendo preso próximo ao município de Cianorte quando retornava de Maringá. Ele revelou para a polícia que o médico geriatra era autor do sequestro e que a casa de Basso estava servindo como cativeiro da estudante. Durante as quase 80 horas em que ficou sequestrada, Marta ficou no quarto de uma edícula no fundo da residência do médico, presa a um botijão de gás com uma corrente. Quando a polícia invadiu o cativeiro, a estudante já havia sido levada pelo médico para uma mata.
A prisão do médico Décio Basso ocorreu por volta das 2h30, logo após o último telefonema para a casa de Chammas. Conforme o delegado chefe da 9ª SDP de Maringá, Maurício de Oliveira Camargo, Basso não tinha conhecimento de que a polícia já tinha detido Carlos Augusto. Basso acabou revelando o local onde deixou a estudante. Ela foi encontrada às 5h40 de ontem, amordaçada e amarrada no meio de uma mata fechada, na PR-317, saída para Campo Mourão. Abatida e completamente molhada pela chuva, Marta foi levada para o Hospital Paraná, mas passa bem.
De acordo com o delegado chefe, Basso teve participação direta no sequestro. ‘‘Ele (Basso) emprestou a casa dele para servir de cativeiro e ainda foi quem levou a estudante para a mata’’, afirmou Camargo. Segundo o delegado, Marta Chammas foi deixada na mata junto com Luiz Carlos de Jesus da Rocha Silva, preso no início da tarde de ontem quando pedia carona para Campo Mourão, na PR-317. A polícia investiga ainda a participação de mais um ou dois homens no caso. ‘‘Estamos tentando chegar na pessoa que forneceu as armas e na pessoa que fez o contato entre o médico e os outros dois sequestradores’’, informou Camargo.

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