Médico é preso por administrar remédio letal
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terça-feira, 11 de abril de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O médico endocrinologista José Carlos da Costa foi preso ontem à tarde, em seu consultório na Rua Souza Naves, Centro de Londrina, acusado de prescrever receitas potencialmente fatais. Ele havia sido denunciado na semana passada pelo Ministério Público (MP), por ter provocado a morte de uma paciente, a vendedora Luciani Zanutto de Oliveira da Silva, em 2001. Paralelamente, Costa responde pelo assassinato de um policial federal cometido em 1993.
Por volta das 15 horas de ontem, uma equipe da Polícia Civil aguardou o término de uma consulta no consultório do médico para cumprir o mandado de prisão preventiva expedido pelo juiz da 1 Vara Criminal de Londrina, João Clève Machado. Costa saiu sem algemas e foi levado para a 10 Subdivisão Policial (SDP), onde prestou depoimento. Meia hora depois, o médico foi transferido para o 2º Distrito Policial (DP), onde permanece preso. Ele não quis falar com a reportagem.
Seu advogado, Marcos César Kaimen, explicou que o juiz decretou a prisão por ''garantia de ordem pública'', sob a suspeita de que o médico continuava receitando medicamentos que podiam levar os pacientes à morte. ''Não existe confirmação de que ele realmente prescreveu os remédios (que mataram a paciente Luciani). Acho que a decisão do juiz foi um pouco precipitada'', apontou.
Segundo a denúncia oferecida pelo promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais e da Saúde Pública e do Trabalhador, Paulo Tavares, no dia 5 de julho de 2001 Luciani se consultou com Costa em busca de tratamento para obesidade, alegando que depois de uma gestação queria perder ''um pouco de barriga''. Dias depois, ela teria recebido, no próprio consultório, dois frascos com cápsulas manipuladas, contendo derivados de anfetamina e substâncias diuréticas. A mesma denúncia cita uma portaria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e uma resolução do Conselho Federal de Medicina que condenam o uso concomitante dessas substâncias.
Luciani passou a sofrer efeitos colaterais como nervosismo, irritabilidade, dores abdominais e insônia. Ainda segundo o MP, ela teria tentado falar com o médico e sido orientada pela secretária a voltar somente após 30 dias do início do tratamento. Não houve tempo. A vendedora morreu quase um mês depois, de complicações cardiovasculares decorrentes da intoxicação por anfetamina, conforme apontaram os laudos da perícia. Costa e dois farmacêuticos responsáveis pela manipulação dos medicamentos foram denunciados pela promotoria por homicídio doloso (com intenção de matar).
Costa já responde por outro crime - extra-profissional - cometido em 1993. Ele é acusado de ter matado com cinco tiros o policial federal Sérgio Ferreira da Silva, então com 33 anos, após uma suposta briga de trânsito na Rua Ademar de Barros, Centro de Londrina. O crime completou 13 anos sem punição no último domingo.
A esposa e a sogra da vítima conversaram com a reportagem ontem, antes de saber da prisão do médico. A viúva, Silvana Barroso, 39 anos, lembrou que Costa era réu confesso e que ficou comprovado que o policial não teve chance de se defender. ''Meu marido tinha uma arma no carro, mas ela ficou intocada, dentro do coldre. Até hoje não sabemos qual o motivo do crime, mas é difícil crer que tenha sido uma briga de trânsito em plena sexta-feira santa'', considerou. Silva deixou um filho de seis meses. O processo contra Costa está prestes a ser incluído na pauta do júri, mas ainda não há data para ser julgado.


