O gastroenterologista Jorge Akira Honda e o Hospital São Paulo, de Cianorte (87 km a nordeste de Umuarama) vão doar uma cirurgia de redução de estômago à ex-manicure Marlene da Paz Felix, 36 anos, de Umuarama. A história de Marlene, uma mulher pobre e obesa que adotou três deficientes abandonados pelas famílias, contada em uma reportagem publicada pela Folha, comoveu o médico e os diretores do hospital que resolveram ajudá-la.
Com 157 quilos, Marlene já fez vários regimes e tratamentos para emagrecer, mas engorda cada vez mais. Segundo Jorge Honda, ela sofre da chamada obesidade mórbida e a única solução para o caso é a cirurgia de redução do estômago. Para se submeter a cirurgia, Marlene terá de perder 12 quilos. Também é necessária uma série de exames e uma avaliação psicológica.
De acordo com o médico, a cirurgia muda radicalmente a vida da pessoa que tem de reaprender a comer e seguir uma série de recomendações. ‘‘‘As vezes o gordo quer fazer a cirurgia, mas não está preparado psicologicamente para deixar de ser gordo, para mudar os hábitos alimentares. É raro, mas alguns se arrependem depois’’, disse.
A ex-manicure tem problemas de hipertensão, dores na coluna cervical e nas articulações dos joelhos por causa do excesso de peso. Mesmo assim, ela e o marido, o diarista Edgar Felix Pinto, 57 anos, adotaram Ana Paula Priscila da Silva, 22 anos, Cristiane Aparecida Miguel, 14 anos, e Luiz Marcos do Nascimento, 6 anos, todos portadores de deficiência mental.
Cristiane e Luiz Marcos têm paralisia cerebral e precisam dos mesmos cuidados de um bebê. A família mora em casa alugada e sobrevive do salário que Edgar ganha na prefeitura (R$ 240,00), da pensão de um salário mínimo que as duas meninas recebem do INSS e de algumas doações.
Por causa do preconceito e da discriminação, Marlene perdeu a clientela depois de adotar os deficientes e abandonou a profissão de manicure. Nos momentos de folga, ela faz bordados para reforçar a renda doméstica. Abandonados pelas famílias, os três deficientes viviam em abrigos inadequados.
Há anos, o Juizado da Infância e Juventude tentava uma adoção, inclusive internacional, mas não encontrou interessados. O Fórum tem mais de 70 casais inscritos para adoção, mas nenhum aceita crianças grandes e, muito menos, com deficiência física ou mental.
Marlene disse que fazer a cirurgia de redução de estômago era um sonho quase impossível. A cirurgia custa no mínimo R$ 5 mil. O Sistema Único de Saúde (SUS) não cobre as despesas e os poucos hospitais do Brasil que operam gratuitamente têm filas de espera de 3 mil a 5 mil pessoas. ‘‘Que Deus abençoe as pessoas que estão me ajudando’’, disse. ‘‘Quero operar o mais rápido possível para perder peso, recuperar a minha saúde e cuidar melhor dos meus filhos’’, planeja.

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