No início de fevereiro, quando a Folha noticiou que um grupo de estudantes da UEL estava embarcando para os municípios de Porto Grande (AP) e Candeias do Jamari (RO), um dos leitores que mais vibrou foi o médico pediatra Toshio Igarashi. Entusiasta da idéia de proporcionar a estudantes universitários a oportunidade de conhecer regiões distantes do Brasil, ele sempre defendeu a volta do Projeto Rondon, extinto no fim do regime militar e retomado em agosto de 2004, a pedido da União Nacional dos Estudantes (UNE).
''É importante que os alunos não fiquem só nos livros. Talvez aqueles que participam de um projeto como este não percebam na hora a importância da experiência que estão vivendo, mas no futuro com certeza eles vão perceber'', diz o médico, que se prepara para completar 80 anos. E ele sabe o que diz: há 51 anos criou uma caravana de estudantes de medicina que veio ao interior do Estado para pesquisar as condições de sa© úde da colônia japonesa.
A Caravana Científica fez história. Em 1957, por exemplo, os estudantes foram responsáveis pela descoberta de um foco de esquistossomose, em Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio). Até hoje, afirma Igarashi, as caravanas existem, numa espécie de versão caseira do Projeto Rondon. ''Foi uma idéia que nós plantamos'', define, enquanto mostra um desenho seu, feito na época da primeira viagem, de um homem ajoelhado, semeando algo no chão. ''Projetos como este devem ser incentivados'', conclui. (S. L.)

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