O clínico-geral Homero Dutra Moreira, 35 anos, integrante do programa Médico da Família em Florestópolis (73 km ao norte de Londrina), está sendo acusado de abuso sexual pela dona-de-casa Aparecida Isabel Silva Ferreira, 32 anos.
Moreira, que negou o crime em depoimento, chegou a ser preso na tarde de sexta-feira mas, após pagar fiança, foi liberado pelo delegado de Porecatu, Fátimo Siqueira, que instaurou inquérito para apurar o caso. Se for indiciado, ele deverá responder por atentado ao pudor mediante fraude. Neste caso, a pena varia de um a dois anos de prisão.
O fato teria acontecido dentro do consultório de um posto de saúde municipal, no Jardim das Flores, bairro pobre à margem da PR-170. O posto estava sendo usado temporariamente para os atendimentos do programa.
Segundo a vítima, na manhã de sexta-feira ela teria procurado o médico porque estava com o ciclo menstrual irregular, o que provocava nela fortes cólicas. ‘‘Era a primeira vez que me consultava com ele. Nunca tinha visto ele. No começo, a consulta parecia normal’’, disse.
Moreira trabalha há sete meses na região. Em Porecatu, trabalha à tarde no Médico da Família, de segunda a sexta. Nos mesmos dias – só que de manhã, exerce a função em Florestópolis. A dona-de-casa, casada e mãe de três filhos – o mais velho de 12, o mais novo de 8 – afirma que começou a estranhar a atitude do médico após deitar-se na maca do consultório.
‘‘Ele começou a fazer coisas estranhas. Pedi pra ele parar. Ele me segurou. Não queria deixar eu descer da maca e começou a me beijar à força. Depois disse que estava excitado e que eu não podia deixá-lo daquela maneira. Aí, abriu o zíper da calça e me mostrou seu órgão sexual. Saí correndo, consegui abrir a porta e pedi ajuda para as meninas’’, contou a vítima, referindo-se às duas agentes de saúde que acompanham o trabalho de Moreira e que estavam na recepção do posto.
De acordo com testemunhas, ela parecia muito nervosa quando saiu da sala, pedindo socorro. Um funcionário da secretaria municipal de Saúde convenceu o médico a comparecer na delegacia local. De lá, ele foi encaminhado à delegacia regional em Porecatu.
As duas agentes – uma delas menor de idade – já foram ouvidas pelo delegado. Nenhuma quis falar com a reportagem. O delegado também não quis revelar nenhum detalhe sobre os depoimentos.
O líder comunitário José Paulino, 36 anos, irmão da suposta vítima e agente de direito da Pastoral da Terra em Florestópolis, disse que a entidade deverá fornecer um advogado para ajudar o Ministério Público na acusação. ‘‘Não podemos deixar isto impune’’.
O advogado do médico, Sidinei Almeida, disse que seu cliente estranhou o comportamento de Aparecida durante a consulta. ‘‘Ela já chegou muito nervosa ao consultório. Parecia ter perturbações psicológicas’’, afirmou Almeida, com base no relato de seu cliente. O médico negou qualquer tipo de assédio e, segundo algumas testemunhas de seu depoimento, parecia muito tranquilo.

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