O médico Emanuel Vieira disse à Folha que a professora Edilene Correa sofria de uma doença rara e ainda em estudo pela comunidade científica: a Hellp síndrome, que causa insuficiência hepática e renal.
‘‘Tudo o que pude fazer, fiz’’, defende-se. ‘‘Este diagnóstico é difícil por ser muito incomum, só conseguimos chegar a ele no último mês. Não estava no hospital no momento crítico porque não estava na escala.’’ O clínico-geral lembra que a paciente teve uma ‘‘gravidez agitada’’ com ‘‘surtos hipertensivos’’ e ‘‘crises profundas de depressão decorrentes de problemas familiares graves’’.
Segundo Vieira, nos 38 anos que trabalha em Jacarezinho, já acompanhou ‘‘mais de 10 mil’’ gestações. ‘‘Ela foi a primeira grávida que acompanhei que morreu após o parto.’’
Edna, irmã da suposta vítima, contesta o quadro descrito pelo médico e garante que nunca foi informada que a irmã sofria de uma síndrome rara e que o parto era de alto risco. De acordo com a dona de casa, Edilene, professora da rede estadual paulista (ela lecionava em Ourinhos), não apresentou problemas – nem de hipertensão nem de fundo emocional – nos oito primeiros meses de gravidez. ‘‘Ela trabalhou neste período e nunca se queixou de nada’’, disse. (L.F.M.)

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