Médico diz que embargo de obra é perseguição
Sid Sauer
De Campo Mourão
O médico Paulo Gonçalves disse ontem que vem sendo perseguido pela prefeitura de Campina da Lagoa (100 km ao sudoeste de Campo Mourão). Ele é dono de um dos dois hospitais da cidade e foi candidato a prefeito em 1996, perdendo para Joaquim Antônio de Lima (PDT), que também é médico. Gonçalves acusou a prefeitura de ter embargado as obras de reforma de seu hospital só para prejudicá-lo.
A prefeitura alega que as obras estão contra o Código de Posturas, mas todos os projetos foram aprovados pelo engenheiro do município, frisa o médico. As reformas foram embargadas porque uma cobertura invade em cerca de 1,5 metro o espaço da calçada. Essa cobertura já existia e estava só sendo reformada, garantiu.
Gonçalves alega que a perseguição começou em 1997, quando Lima assumiu a prefeitura. Na época ele mandou cortar as minhas AIH (autorizações para internações hospitalares). De 55 AIHs, meu hospital ficou com apenas 9 e o outro hospital ficou com todo o resto. Gonçalves conta que só consegue manter o hospital porque obteve uma liminar, há dois anos, que o autorizou a ficar com 38% das cerca de 110 AIHs destinadas todo mês ao município.
O secretário geral da prefeitura de Campina da Lagoa, Francisco Barros de Souza, negou ontem à Folha, por telefone, que haja perseguição contra o médico. A obra foi embargada porque estava sendo construída em cima do passeio público, explicou. Segundo ele, Gonçalves quis incluir na reforma obras que não estavam previstas nos projetos aprovados. O médico teria sido avisado que a obra estava irregular, mas insistiu em continuar com os trabalhos. O hospital dele recebe menos AIHs, porque tem menos médicos, disse o secretário.





