O último capítulo de ‘O Moscovita’, primeira novela brasileira na Internet, exibida no dia 24 deste mês, contou com uma participação muito especial. Por ter decifrado uma charada proposta logo no início da trama, o médico Paulo Adilson Herrera, 29 anos, de Londrina, se transformou num personagem e ‘‘fez uma ponta’’ na novela. E ainda, também como prêmio, o médico ganhou um computador Compaq Pentium.
O primeiro capítulo de ‘O Moscovita’ aconteceu no dia 25 de novembro. A novela contou a história do misterioso vilão Boris Moska, que planejava recriar a URSS. Para isso, ele chantageava, via Internet, personalidades famosas com fotomontagens digitais de sacanagem.
O herói da novela era o detetive Pascoal Fukuda, que é procurado por Charlene Fofolette, uma das vítimas de Bóris. Na definição do médico, é uma comédia com toques irônicos. O roteiro é do escritor Reinaldo Moraes e a direção geral é de Ricardo Anderáos.
Paulo Herrera conta que a charada proposta na novela fazia referências a tempo. ‘‘Os idos de março ficam a cinco meses dos idos que nunca foram. E, por enquanto, fica o ido por não ido’’. Pesquisando, o médico descobriu que as pistas levavam ao calendário gregoriano. Em 1582, quando o papa Gregório 12 criou o calendário, tirou 10 dias do mês de outubro. Assim, naquele mês, o tempo saltou do dia 5 para o dia 16.
A descoberta de Paulo Herrera se deu no oitavo capítulo, quando ele enviou um e-mail com a resposta. Outras 14 pessoas também mataram a charada, mas o médico foi escolhido por ter sido o primeiro e enviar a mensagem. ‘‘Foi uma surpresa’’, confessa.
No último capítulo da novela, Paulo Herrera aparece enviando o e-mail que aciona o mecanismo de detonação do avião do vilão. Apesar da aeronave explodir, Boris Moska escapa ileso. Por isso, o médico acredita que haverá continuação.
Mais do que a trama, Paulo Herrera revela que achou interessante a interação com o público. Ele explica que os internautas podiam enviar e-mails para os personagens, que respondiam no ar. O médico informa que navega na Internet há três meses e se considera um autodidata. ‘‘Eu sei o básico’’, observa.

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