Médico desvenda a charada de novela
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sexta-feira, 27 de dezembro de 1996
Lucília Okamura 
O último capítulo de O Moscovita, primeira novela brasileira na Internet, exibida no dia 24 deste mês, contou com uma participação muito especial. Por ter decifrado uma charada proposta logo no início da trama, o médico Paulo Adilson Herrera, 29 anos, de Londrina, se transformou num personagem e fez uma ponta na novela. E ainda, também como prêmio, o médico ganhou um computador Compaq Pentium.
O primeiro capítulo de O Moscovita aconteceu no dia 25 de novembro. A novela contou a história do misterioso vilão Boris Moska, que planejava recriar a URSS. Para isso, ele chantageava, via Internet, personalidades famosas com fotomontagens digitais de sacanagem.
O herói da novela era o detetive Pascoal Fukuda, que é procurado por Charlene Fofolette, uma das vítimas de Bóris. Na definição do médico, é uma comédia com toques irônicos. O roteiro é do escritor Reinaldo Moraes e a direção geral é de Ricardo Anderáos.
Paulo Herrera conta que a charada proposta na novela fazia referências a tempo. Os idos de março ficam a cinco meses dos idos que nunca foram. E, por enquanto, fica o ido por não ido. Pesquisando, o médico descobriu que as pistas levavam ao calendário gregoriano. Em 1582, quando o papa Gregório 12 criou o calendário, tirou 10 dias do mês de outubro. Assim, naquele mês, o tempo saltou do dia 5 para o dia 16.
A descoberta de Paulo Herrera se deu no oitavo capítulo, quando ele enviou um e-mail com a resposta. Outras 14 pessoas também mataram a charada, mas o médico foi escolhido por ter sido o primeiro e enviar a mensagem. Foi uma surpresa, confessa.
No último capítulo da novela, Paulo Herrera aparece enviando o e-mail que aciona o mecanismo de detonação do avião do vilão. Apesar da aeronave explodir, Boris Moska escapa ileso. Por isso, o médico acredita que haverá continuação.
Mais do que a trama, Paulo Herrera revela que achou interessante a interação com o público. Ele explica que os internautas podiam enviar e-mails para os personagens, que respondiam no ar. O médico informa que navega na Internet há três meses e se considera um autodidata. Eu sei o básico, observa.


